A cidade de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, voltou aos holofotes com um projeto audacioso: transformar as Ilhas Maricás, a cerca de 5 km da costa de Itaipuaçu, em sede de um Centro Aeroespacial voltado ao lançamento de pequenos satélites. A proposta foi apresentada pelo prefeito Washington Quaquá (PT) durante reunião com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon, na sede da Codemar. A ideia mira o fortalecimento da economia local e a criação de um polo de inovação e formação de engenheiros aeroespaciais.
Para Quaquá, o centro poderia posicionar Maricá no mapa global da tecnologia espacial, além de gerar empregos, atrair investimentos e diversificar a matriz econômica do município, hoje dependente dos royalties do petróleo. “Meu lema é: ‘foguete não dá ré’. Em Maricá, eles vão voar alto e longe!”, afirmou o prefeito, destacando também o potencial educacional e científico da iniciativa.
Apesar do entusiasmo, o projeto esbarra em importantes entraves. As Ilhas Maricás estão sob jurisdição da Marinha do Brasil, o que exigirá negociação institucional e autorização federal. Além disso, o arquipélago possui relevância ecológica, o que levanta preocupações ambientais e a necessidade de licenciamento rigoroso. Especialistas alertam que qualquer intervenção na área deve respeitar critérios técnicos, legais e de conservação da biodiversidade.
A proposta ainda está em fase inicial e carece de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Nenhum cronograma oficial foi divulgado, tampouco detalhes sobre os custos envolvidos. Mesmo assim, a movimentação sinaliza uma tentativa de reposicionar Maricá como cidade de vanguarda tecnológica, apostando no setor aeroespacial como motor de desenvolvimento de longo prazo.

