Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), assina editorial no Jornal da Ciência da SBPC apontando a geopolítica científica como eixo central das disputas globais contemporâneas. O texto, assinado pela presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, sustenta que o poder dos países passa, cada vez mais, pela capacidade de produzir e aplicar conhecimento, e não apenas pela posse de recursos naturais ou extensão territorial.
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O editorial destaca que o Brasil reúne condições favoráveis para ocupar posição relevante nesse cenário, com base em sua biodiversidade, matriz energética e reservas de minerais críticos, como as terras raras. Ainda assim, segundo a análise, o país não consegue converter plenamente sua capacidade científica em poder tecnológico e produtivo, permanecendo dependente de cadeias industriais externas mesmo em áreas nas quais já domina o conhecimento em nível laboratorial.
A avaliação é respaldada por nota técnica conjunta elaborada por entidades científicas, incluindo a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira de Química, que aponta a existência de domínio técnico nas etapas iniciais da cadeia de terras raras, mas ausência de infraestrutura industrial para escalonamento. O documento reforça que a lacuna não está na produção de conhecimento, mas na articulação entre ciência, indústria e políticas públicas.
O texto também contextualiza o avanço internacional no setor, citando exemplos como China e Coreia do Sul, que estruturaram cadeias produtivas estratégicas com forte coordenação estatal. Nesse ambiente, a crescente demanda por tecnologias ligadas à transição energética — como veículos elétricos e geração eólica — amplia a importância das terras raras e intensifica a competição global por domínio tecnológico e industrial.
Como conclusão, o editorial defende a necessidade de tratar a ciência como infraestrutura estratégica de Estado, com financiamento estável, governança coordenada e instrumentos regulatórios voltados à agregação de valor no território. Para a SBPC, o principal desafio brasileiro não é a escassez de recursos ou conhecimento, mas a ausência de decisões capazes de transformá-los em autonomia produtiva e soberania tecnológica.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

