O sistema de navegação por satélite BeiDou, desenvolvido pela China como alternativa ao GPS norte-americano, registrou mais de 1 trilhão de utilizações diárias em 2024 e gerou quase US$ 80 bilhões em valor econômico, segundo dados da GNSS and LBS Association of China, entidade semioficial do setor.
De acordo com o relatório divulgado no último domingo, o BeiDou movimentou 575,8 bilhões de yuans (cerca de US$ 79,9 bilhões) no ano passado, com crescimento de 7,39% em relação a 2023. O sistema é hoje compatível com 288 milhões de smartphones no país, especialmente de marcas nacionais como Huawei e Xiaomi.
Aplicativos de navegação populares, como Baidu Maps e Amap, já utilizam o BeiDou para orientar trajetos que somam cerca de 4 bilhões de quilômetros por dia. A adoção em larga escala acompanha a diretriz oficial de reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras em setores considerados estratégicos.
Criado há mais de três décadas, o BeiDou vem ganhando espaço gradualmente no ecossistema tecnológico chinês, em parte como resposta à percepção de vulnerabilidade em relação ao GPS, operado pelo governo dos Estados Unidos. Com tensões geopolíticas em alta, o sistema passou a ser preferido em instituições públicas, estatais e militares, segundo pesquisadores.
“Em muitos casos, dispositivos fabricados na China deixam de suportar o GPS ou o substituem por razões de segurança”, afirmou um acadêmico da Zhejiang Sci-Tech University, sob anonimato. Ainda assim, aparelhos como o iPhone continuam operando com ambos os sinais, alternando conforme a qualidade da recepção.
Para além dos smartphones, o BeiDou já é utilizado em drones, veículos elétricos, relógios inteligentes e equipamentos industriais. A cobertura também foi ampliada para regiões rurais e remotas, com investimentos em infraestrutura terrestre e em atualizações para reduzir o tempo de resposta do sistema.
No plano internacional, o governo chinês tem promovido o BeiDou como opção global de navegação, sobretudo em países asiáticos e parceiros da Iniciativa do Cinturão e Rota. A expectativa da China Satellite Navigation Office é substituir a constelação atual por satélites de nova geração até 2035, com capacidade de posicionamento em tempo real com precisão centimétrica.
Ainda que enfrente limitações fora da Ásia, o BeiDou sinaliza a consolidação de um modelo paralelo de infraestrutura espacial. Em um cenário de fragmentação tecnológica e disputas por autonomia digital, a expansão do sistema pode ganhar novo fôlego nos próximos anos.

