Marcos Oliveira, no Conjur, traz que atokenização imobiliária entrou no debate público como promessa de eficiência, liquidez e acesso ampliado ao mercado de crédito. Às vésperas de 2026, porém, o tema começa a ser reavaliado sob outra chave: a de que a consolidação do setor dependerá menos da rapidez tecnológica e mais da solidez institucional que sustenta o direito de propriedade. A experiência recente indica que a confiança jurídica permanece como o principal ativo desse mercado.
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Nos últimos dois anos, o avanço regulatório foi acompanhado por números relevantes. Emissões reguladas superaram a marca de R$ 1,3 bilhão, enquanto a Comissão de Valores Mobiliários iniciou a revisão da Resolução 88 para acomodar operações de maior porte. O movimento aponta para uma expansão controlada, em que inovação e supervisão caminham juntas, ainda que em ritmo cauteloso.
O debate jurídico também ganhou centralidade após a tentativa de criação de um sistema paralelo de tokens imobiliários, posteriormente suspenso por decisão judicial. O episódio evidenciou um limite estrutural do setor: qualquer iniciativa digital que ignore as competências constitucionais do registro imobiliário tende a enfrentar resistência institucional e insegurança para investidores. A disputa envolvendo entidades do mercado e o sistema registral antecipou um consenso emergente: tecnologia, por si só, não substitui a verificação da titularidade.
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Nesse contexto, registradores e o sistema eletrônico de registros passaram a ser vistos menos como entraves e mais como infraestrutura de confiança. A matrícula continua sendo o ponto de ancoragem do lastro imobiliário, e os emolumentos funcionam, na prática, como um mecanismo coletivo de mitigação de riscos. Paralelamente, a integração digital e o uso de interfaces padronizadas ampliam o acesso a dados confiáveis, fortalecendo a preservação documental e a tomada de decisão baseada em informação verificável.
No campo financeiro, a revisão do projeto Drex reforça essa tendência de prudência. O Banco Central mantém o interesse na tokenização de ativos para operações de crédito e garantia, mas sinaliza que 2026 será marcado por ajustes técnicos e diálogo institucional, não por implementação em larga escala. A leitura predominante é que a tokenização imobiliária seguirá como instrumento para reduzir fricções e ampliar liquidez, desde que apoiada por instituições fortes. A maturidade do setor, ao que tudo indica, será medida menos pelo volume captado e mais pela qualidade do ecossistema que sustenta a confiança no mercado digital.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

