Sofia Schuck, repórter de ESG da revista Exame, destaca que o Brasil acaba de dar um passo crucial na direção da sustentabilidade com o lançamento do primeiro mapeamento do ecossistema de finanças climáticas. O estudo, divulgado pelo Climate Finance Hub Brasil (CFH), identifica 37 iniciativas que impulsionam a agenda de transição para uma economia de baixo carbono. O levantamento ocorre em um momento estratégico, com os olhos do mundo voltados para a COP30, que será realizada na Amazônia.
O conceito de finanças climáticas envolve fluxos de capital destinados à mitigação das mudanças climáticas e à adaptação dos territórios. Segundo Linda Murasawa, responsável pelo levantamento no CFH, muitas empresas ainda encontram dificuldades para integrar a agenda climática em seus modelos de negócio. O objetivo do hub é fornecer informações que auxiliem stakeholders a analisar riscos, identificar oportunidades e tomar melhores decisões de investimento.
A pesquisa revelou que uma das principais lacunas entre as iniciativas mapeadas é a baixa adesão aos padrões globais de transparência e governança climática. Denise Hills, conselheira do hub, afirmou que o estudo permite visualizar avanços expressivos nos investimentos sustentáveis no Brasil e pode ajudar na destinação de recursos para setores-chave. Entre os principais players identificados, destacam-se organizações de divulgação climática, ciência, finanças sustentáveis, representação setorial e plataformas de conhecimento e dados abertos.
O levantamento também evidencia o crescimento da transparência ambiental no Brasil. Em 2023, mais de 1.100 empresas participaram do CDP, cobrindo 78% do mercado de capitais nacional. O Brasil tem avançado na adoção de padrões globais, como o TCFD e o ISSB, consolidando-se como referência na América Latina. Outro ponto relevante é o aumento de 82% no número de empresas com metas validadas pela Science Based Targets Initiative (SBTi) em apenas um ano.
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