Brasil e China iniciaram uma agenda conjunta para estruturar a plataforma Brasil–China Green Food Value Chain, iniciativa voltada à organização de cadeias produtivas de alimentos com critérios ambientais e maior rastreabilidade. A proposta busca aproximar instituições dos dois países para harmonizar protocolos técnicos e ampliar a transparência nas exportações de produtos como soja e carne bovina. O tema foi discutido semana passada em reunião no Sistema OCB, que recebeu uma delegação internacional envolvida no projeto.
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A plataforma é co-liderada pela Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com financiamento da Agência Norueguesa para Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD). O projeto começou a ser estruturado há cerca de dois anos, a partir da constatação de que, apesar do intenso fluxo comercial entre Brasil e China, ainda há fragmentação de dados, certificações e critérios socioambientais utilizados na produção agrícola destinada ao comércio internacional.
Segundo participantes da reunião, a iniciativa pretende criar um ambiente de cooperação técnica para integrar informações sobre políticas públicas, certificações privadas e protocolos setoriais existentes no Brasil. A plataforma deverá funcionar como um repositório de conhecimento e práticas produtivas, reunindo notas técnicas, requisitos regulatórios e exemplos de implementação em diferentes regiões do país.
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Durante o encontro, pesquisadores da delegação chinesa demonstraram interesse em compreender o funcionamento das cooperativas brasileiras e seu papel na disseminação de tecnologias e práticas ambientais junto aos produtores rurais. O cooperativismo foi apresentado como um mecanismo capaz de conectar exigências do mercado internacional a processos produtivos no campo, especialmente em temas relacionados à assistência técnica, rastreabilidade e cumprimento de protocolos ambientais.
A agenda da delegação inclui visitas técnicas ao município de Sinop, em Mato Grosso, onde serão apresentados projetos ligados às cadeias de soja e pecuária de corte. No plano de trabalho da plataforma estão previstos estudos prospectivos com horizonte até 2050, modelagens climáticas para cadeias agropecuárias, análises de impactos de barreiras ambientais no comércio internacional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento de sistemas de rastreabilidade e instrumentos de finanças verdes. Participam do projeto instituições como Embrapa, Esalq/USP e o Ministério da Agricultura, além de universidades e centros de pesquisa chineses.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

