O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, o comitê internacional responsável por definir as diretrizes da OceanObs29, uma das principais conferências globais voltadas ao monitoramento dos oceanos. A nomeação da diretora de Infraestrutura e Operações do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Janice Trotte-Duhá, insere o país nas discussões que definirão prioridades científicas e estratégicas relacionadas à produção e ao compartilhamento de dados oceânicos em escala global, com reflexos diretos sobre a gestão de áreas costeiras, a segurança marítima e a adaptação às mudanças climáticas.
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A participação brasileira ocorre em um contexto de crescente valorização das infraestruturas de observação oceânica, responsáveis pela coleta de informações sobre fenômenos como elevação do nível do mar, acidificação dos oceanos, eventos climáticos extremos e circulação de correntes marítimas. Esses dados são utilizados por governos, centros de pesquisa e organismos internacionais para subsidiar políticas públicas e decisões relacionadas ao ordenamento territorial de zonas costeiras, à proteção de ecossistemas marinhos e à redução de riscos associados a desastres naturais.
O ingresso do Brasil no colegiado também coincide com a preparação da Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, promovida pela Unesco, que será realizada no Rio de Janeiro em 2027. A aproximação com os principais fóruns internacionais do setor pode ampliar a participação brasileira em iniciativas voltadas ao compartilhamento de dados, à interoperabilidade entre sistemas de monitoramento e ao fortalecimento de redes científicas ligadas à chamada economia azul, tema cada vez mais presente nas estratégias de desenvolvimento de países costeiros.
Além da nomeação para a OceanObs29, representantes do Inpo participaram do Global Ocean Summit 2026, realizado em Hong Kong, onde foram debatidos temas relacionados à transição energética, ao aproveitamento sustentável dos recursos marinhos e à criação da Global Ocean Research Union (GlORi), uma nova iniciativa internacional voltada à cooperação científica. As discussões reforçam a tendência de integração entre produção de conhecimento, infraestrutura de dados e planejamento territorial dos espaços marítimos.
Com mais de 7 mil quilômetros de litoral e uma extensa zona econômica exclusiva no Atlântico Sul, o Brasil figura entre os países com maior interesse estratégico na produção de informações oceânicas. A presença do país nos espaços de definição das futuras políticas globais de observação dos mares pode influenciar não apenas a pesquisa científica, mas também setores ligados à pesca, navegação, energia offshore, defesa e proteção das populações costeiras diante dos impactos das mudanças climáticas.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

