O Brasil subiu para a sétima posição no ranking global de vazamentos de dados, conforme pesquisa da Surfshark, que apontou um salto alarmante de 24 vezes nas violações registradas em 2024. O país também lidera o ranking mundial de vazamento de cookies, com 7 bilhões de registros de usuários brasileiros encontrados na dark web, segundo a NordVPN. Apesar da existência de marcos legais como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), os números indicam um cenário de desproteção generalizada.
Especialistas como Joana Faccini Salaverry, da Infolock, atribuem o problema à combinação de baixa cultura digital, ausência de medidas técnicas estruturadas e um desconhecimento das empresas sobre como cumprir a LGPD de forma eficaz. Para ela, muitos empresários ainda associam cibersegurança a softwares antivírus, sem compreender que a conformidade legal exige processos, auditorias e controles contínuos. “A lacuna de conhecimento é o maior vetor de risco nesse cenário”, alerta.
A LGPD impõe obrigações técnicas e administrativas, mas não oferece um roteiro prático, o que, segundo Salaverry, dificulta sua implementação nas pequenas e médias empresas. Ela defende que programas de compliance digital bem estruturados são capazes de transformar a legislação em vantagem competitiva, trazendo previsibilidade, rastreabilidade e segurança jurídica. A inexistência dessas estruturas, por outro lado, pode resultar em responsabilidade legal mesmo quando a empresa é vítima de ataques externos.
Com mais de 208 milhões de violações registradas apenas no último trimestre de 2024, o Brasil segue à frente de países como Reino Unido e Itália. Salaverry destaca que o artigo 46 da LGPD exige comprovação ativa das medidas de proteção adotadas. Em sua visão, ferramentas como controle de acesso, logs de auditoria, softwares de gestão e canais de denúncia independentes devem fazer parte do dia a dia das empresas que tratam dados pessoais. “Segurança da informação é hoje um requisito básico de sobrevivência empresarial”, conclui.
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