Canadá inicia construção de seu primeiro espaçoporto comercial em Newfoundland

Divulgação / NordSpace

A canadense NordSpace deu início à construção de sua primeira base de lançamentos orbitais, o Atlantic Spaceport Complex (ASX), um marco que promete inserir o Canadá no circuito internacional de portos espaciais comerciais. Localizada na região de St. Lawrence, em Newfoundland e Labrador, a instalação foi projetada para atender a uma ampla gama de inclinações orbitais, entre 46 e 100 graus, o que permitirá missões tanto equatoriais quanto polares.

O projeto inicial, avaliado em US$ 10 milhões, inclui dois complexos de lançamento: o SLC-01, destinado a foguetes orbitais como o Tundra e o Taiga, e o SLC-02, voltado a missões suborbitais, sistemas de radar e equipamentos de apoio. A empresa destaca que a localização privilegiada da base canadense confere vantagens sobre portos norte-americanos que enfrentam restrições de segurança relacionadas a áreas povoadas.

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De acordo com o CEO da NordSpace, Rahul Goel, a construção da base representa mais que um investimento em infraestrutura: trata-se de uma aposta no futuro do país como potência em inovação e segurança espacial. A expectativa é que o primeiro voo de teste ocorra em 25 de agosto deste ano, com o foguete suborbital Taiga, cujo motor Hadfield Mk III foi produzido por impressão 3D. A missão foi batizada de “Getting Screeched In”, uma referência à tradição cultural local.

Nos planos de médio prazo, a companhia pretende lançar o foguete Tundra em 2027, capaz de transportar até 500 quilos para a órbita baixa da Terra. O espaçoporto também dará suporte ao programa SHARP, voltado ao desenvolvimento de veículos supersônicos e hipersônicos para defesa e pesquisa científica. Essa agenda reforça a ambição da NordSpace de posicionar o Canadá no mapa da nova corrida espacial.

A NordSpace ressalta que o Atlantic Spaceport Complex foi concebido e construído integralmente no Canadá, consolidando a autonomia tecnológica nacional. Estima-se que a base gerará 650 empregos de alta qualificação na próxima década e movimentará US$ 2,5 bilhões em benefícios econômicos. Para Goel, a iniciativa responde a um desafio estratégico: “assim como a terra, o ar e o mar, o espaço é um domínio que precisamos dominar para garantir o futuro econômico e de segurança do Canadá”.

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