Ceará disputa o título de “capital dos dados” no Brasil com investimentos bilionários e cabos submarinos

O Ceará desponta como candidato a se tornar a “capital dos dados” no Brasil. Fortaleza, em especial, reúne condições únicas para concentrar parte da infraestrutura digital do país: localização estratégica no Atlântico, presença de 16 cabos submarinos que conectam continentes e energia renovável abundante. Esse conjunto de fatores atrai gigantes da tecnologia e faz do Estado o terceiro maior polo nacional de data centers, prestes a superar o Rio de Janeiro e se consolidar atrás apenas de São Paulo.

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A posição geográfica do Ceará é considerada estratégica porque reduz a distância física e a latência na comunicação com outros continentes. Situado no vértice nordeste do Brasil, o Estado está mais próximo da África, da Europa e dos Estados Unidos, funcionando como um “atalho natural” para o tráfego internacional de dados. Essa condição explica a concentração de cabos submarinos em Fortaleza, que transformam a cidade em uma das principais portas de entrada e saída da internet global no país.

O movimento ganha força com dois projetos de peso. O Mega Lobster, data center da Tecto — empresa do grupo BTG —, será inaugurado ainda este ano na capital, com R$ 550 milhões em investimentos e capacidade inicial de 10 MW. Em Caucaia, o complexo da Casa dos Ventos promete colocar o Ceará em outro patamar, com potência de 300 MW e aporte de R$ 12 bilhões na obra, além de R$ 38 bilhões destinados pelos clientes em equipamentos. Juntos, os empreendimentos reforçam a ideia de que o Estado concentra as rotas e a energia necessárias para se tornar o grande centro de dados do país.

Mas a transformação em “capital dos dados” também traz dilemas. Comunidades indígenas Anacé protestaram contra a ausência de consulta prévia no licenciamento da Casa dos Ventos, e pesquisadores apontam que a legislação municipal não acompanha a escala dos investimentos. Ainda assim, o governo estadual celebra o potencial de empregos, inovação e protagonismo digital. Entre promessas e disputas, o Ceará projeta-se como ponto vital da economia informacional brasileira, onde dados — e não apenas mercadorias — se tornam o novo vetor de desenvolvimento.

ISSN 3086-0415, produção de Luiz Ugeda.

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