O Brasil ocupa a penúltima colocação entre os países do G20 em investimento público no setor espacial, conforme revela um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicado em janeiro de 2025 e ainda referência no debate sobre soberania tecnológica. Os dados mostram que, em 2023, o país destinou apenas US$ 47 milhões à área — o equivalente a 0,002% do PIB — ficando à frente apenas do México. A média de investimento do grupo é 30 vezes maior, evidenciando a distância do Brasil em relação a uma agenda internacional que trata o espaço como vetor estratégico para segurança, inovação e desenvolvimento.
Enquanto os Estados Unidos lideram com mais de US$ 73 bilhões investidos no ano passado, países como Rússia, França e até mesmo a África do Sul, com PIBs consideravelmente menores, superam com folga o investimento brasileiro. Com apenas 24 satélites em operação, o Brasil depende majoritariamente da infraestrutura de outros países, o que afeta diretamente serviços essenciais como comunicações, meteorologia, agricultura de precisão e monitoramento ambiental.
A dependência externa acarreta riscos concretos. Um estudo citado pela CNI aponta que a interrupção no acesso ao sistema de navegação por satélite (GNSS) por apenas cinco dias causaria um prejuízo estimado de R$ 32 bilhões à economia brasileira. O caso do derramamento de óleo no litoral nordestino em 2019 é frequentemente lembrado como exemplo de como a falta de autonomia espacial prejudica a capacidade de resposta do Estado em situações de emergência.
Apesar dos baixos índices, há sinais de reativação. Projetos como o Amazonia-1, o VCUB1 e a Constelação Catarina mostram que o Brasil possui competência técnica instalada para avançar no setor. A Finep já destinou quase R$ 1 bilhão a iniciativas de inovação aeroespacial nos últimos dois anos, enquanto o programa Nova Indústria Brasil prevê R$ 113 bilhões em investimentos até 2033, incluindo satélites, radares e tecnologia de propulsão.
Segundo Fabrício Silveira, superintendente da CNI, a retomada do investimento público é fundamental para mobilizar o setor privado e reduzir a vulnerabilidade nacional. “Sem capacidade espacial própria, o Brasil continuará financiando o desenvolvimento tecnológico de outras nações, enquanto compromete sua soberania e perde oportunidades econômicas”, alerta. A CNI defende políticas de longo prazo com foco em tecnologias de uso dual e missões estratégicas voltadas à indústria espacial nacional.
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