Conectividade em Dois Mundos: Relatório da OCDE escancara exclusão digital rural

Por OCDE

Um relatório recente da OCDE revela o que a pandemia já havia deixado claro: a conectividade digital não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de desigualdade territorial. Analisando dados de mais de 60 países entre 2019 e 2024, o estudo mostra que moradores de áreas urbanas acessam internet com velocidades fixas 43,8% superiores às das zonas rurais, e que as velocidades móveis nas cidades são, em média, 37,2% mais rápidas. Mesmo em países que já reconhecem a internet como direito básico, como água ou luz, a cobertura de banda larga acima de 30 Mbps ainda não chega a um quarto dos lares rurais.

Na América Latina, a exclusão é ainda mais evidente. Países como Brasil, Argentina e Peru — em processo de adesão à OCDE — sofrem não apenas com limitações técnicas, mas com obstáculos estruturais mais amplos: redes elétricas frágeis, baixos níveis de renda e acesso restrito a habilidades digitais. No Peru, por exemplo, as velocidades urbanas são 246% superiores às rurais, a maior disparidade registrada. No Brasil, a diferença chega a 123%, comprometendo o uso de aplicações que exigem estabilidade e velocidade, como ensino remoto ou telemedicina.

Apesar da expansão da tecnologia 5G, que já alcança 83,6% da população nos países da OCDE, a adesão segue tímida e o tempo de uso efetivo da rede ainda é inferior a 9%. Nas zonas rurais da Colômbia, México e Costa Rica, mais de 2% do tempo os usuários sequer têm acesso a qualquer sinal móvel — o dobro da taxa observada nas cidades. Esses indicadores não só impactam o acesso à informação, como também aprofundam as desigualdades econômicas e sociais.

A OCDE conclui que enfrentar esse abismo exige mais do que investimentos em torres e cabos: requer regulação eficiente, dados transparentes e estratégias de cooperação internacional. Publicar mapas detalhados de cobertura — como já fazem 82% dos países analisados — e adotar modelos colaborativos de planejamento são passos fundamentais. Reduzir a exclusão digital rural é, antes de tudo, uma decisão política.

Acesse o relatório.

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