O crédito rural brasileiro entrou em uma fase de maior rigor na análise de risco socioambiental. Instituições financeiras passaram a incorporar critérios ambientais como condição objetiva para a liberação de recursos, especialmente nas linhas subsidiadas. Segundo José Renato da Costa Alberto, CEO da SpotSat, a regularidade ambiental deixou de ser um elemento acessório e passou a integrar o núcleo da avaliação financeira. “Os bancos passaram a considerar fatores ambientais, jurídicos e climáticos como parte estruturante da análise de risco”, afirma.
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Dados da Serasa Experian mostram que o volume de crédito rural caiu 16% no primeiro semestre de 2025, totalizando R$ 83 bilhões, frente ao mesmo período de 2024. Para Costa Alberto, a retração não pode ser explicada apenas pelo cenário macroeconômico ou pelas taxas de juros, mas também pela reclassificação do risco ambiental no sistema financeiro. Relatório da Climate Policy Initiative indica que, entre agosto de 2023 e julho de 2024, R$ 47,6 bilhões — 36% do crédito rural subsidiado — foram destinados a propriedades com registro de desmatamento após 2009, sendo R$ 43,4 bilhões operacionalizados por bancos públicos e cooperativas.
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A Resolução CMN nº 5.193, de 2024, consolidou essa mudança ao determinar que, a partir de 2026, as instituições financeiras deverão verificar a existência de supressão de vegetação nativa por meio de sistemas oficiais antes de conceder crédito. A norma exige o cruzamento de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com bases como o PRODES e informações de órgãos ambientais estaduais. Propriedades com indícios de irregularidade poderão ter o financiamento negado, suspenso ou condicionado à regularização.
Costa Alberto observa que o novo modelo amplia a necessidade de validação técnica das informações ambientais. Segundo ele, nem todo registro de desmatamento corresponde automaticamente a uma infração, podendo envolver autorizações legais ou inconsistências cartográficas. Ainda assim, a existência de alertas em bases públicas já influencia a decisão de crédito, aumentando a importância de relatórios técnicos e auditorias que comprovem a regularidade das áreas produtivas.
Apesar do endurecimento das exigências, levantamentos indicam que a maioria das áreas agrícolas relevantes opera em conformidade com a legislação. Dados da Serasa Experian apontam que mais de 90% das áreas de soja na Amazônia Legal e no Cerrado não apresentam sobreposição com desmatamento recente. Para o CEO da SpotSat, o cenário tende a consolidar a regularidade ambiental como variável permanente na política de crédito rural, influenciando a precificação e o acesso ao capital no agronegócio brasileiro.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

