Crise climática já retira R$ 110 bilhões por ano do PIB brasileiro, aponta estudo

O Brasil já perde cerca de R$ 110 bilhões por ano em razão de eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas, segundo relatório do Centro Internacional Celso Furtado, elaborado com apoio do Instituto Clima e Sociedade. Os dados integram a publicação “Impactos Econômicos de Eventos Extremos no Brasil”, que apresenta estimativas inéditas sobre os efeitos da crise climática na economia nacional e nas contas públicas.

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O estudo indica que, em um cenário de aquecimento global de +2°C, as perdas podem atingir R$ 144,6 bilhões anuais, impulsionadas pelo aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos. Entre os impactos mais relevantes estão a redução da atividade econômica, danos à infraestrutura, queda na arrecadação e aumento da pressão sobre os sistemas de saúde e assistência social.

A pesquisa também aponta um desequilíbrio na forma como o poder público aloca recursos. Atualmente, os gastos com resposta a desastres e reconstrução são quase dez vezes superiores aos investimentos em prevenção e adaptação. Esse padrão, segundo os autores, tende a ampliar os custos no longo prazo, ao manter uma lógica reativa diante de eventos cada vez mais recorrentes.

No campo fiscal, o relatório “Orçamento Climático Nacional” mostra que as despesas relacionadas ao clima representam cerca de 1% do orçamento total da União, apesar de crescimento recente. O levantamento identifica ainda dificuldades na classificação e transparência dos gastos, além de inconsistências entre políticas públicas e incentivos fiscais, que ainda contemplam atividades com impacto negativo sobre o clima.

Os efeitos econômicos variam conforme o tipo de evento. Municípios atingidos por secas extremas registram perda média de 2% do PIB ao ano, com impactos que podem durar até cinco anos. Já eventos de chuvas intensas provocam retrações imediatas na economia local, além de danos materiais e sociais significativos. O estudo conclui que a intensificação desses fenômenos tende a elevar os custos da inação e reforça a necessidade de políticas públicas orientadas à antecipação e mitigação de riscos climáticos.

Relatório – Orçamento Climático Nacional

Relatório – Impactos Econômicos de eventos extremos no Brasil e o custo das mudanças climáticas

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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