A Energisa, por meio da redação da MIT Technology Review Brasil, diz que o anúncio de um data center de grande escala no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, sintetiza uma mudança silenciosa na geografia da infraestrutura digital. Previsto para entrar em operação a partir de 2027 e associado à expansão regional de empresas globais como o TikTok, o projeto reúne energia renovável dedicada, soluções avançadas de resfriamento e a ambição de posicionar o Nordeste como plataforma de serviços digitais para a América Latina.
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O movimento reflete uma disputa internacional por capacidade computacional, impulsionada pela inteligência artificial, pela computação em nuvem e pelo 5G. Estudo do Instituto Pensar Energia aponta que data centers já consomem cerca de 1,5% da eletricidade global e devem mais que dobrar essa fatia até o fim da década. Nesse contexto, o Brasil se destaca por operar com uma matriz elétrica majoritariamente limpa, vantagem rara em um setor cada vez mais pressionado por metas climáticas e critérios de sustentabilidade.
Essa vantagem, porém, vem acompanhada de exigências técnicas elevadas. Data centers operam como infraestrutura crítica e demandam fornecimento contínuo, com níveis de confiabilidade próximos de 99,99%. Isso recoloca no centro do debate fontes de energia firmes e previsíveis, além do desenho regulatório do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que, até 2025, mais de 50 pedidos de conexão de novos centros de dados já haviam sido protocolados na rede básica do Sistema Interligado Nacional.
A pressão não é apenas nacional. A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda elétrica global de data centers deve mais que dobrar até 2030, puxada por IA e criptoativos. No Brasil, estudos setoriais estimam que essas estruturas já respondem por cerca de 1,7% do consumo de eletricidade, com tendência de crescimento acelerado e impactos concentrados em poucos nós da rede de transmissão.
Nesse cenário, a interiorização surge como vetor estratégico. Regiões fora do eixo tradicional Sudeste–litoral passam a ser consideradas por combinar disponibilidade de terra, expansão de fontes renováveis e potencial de energia firme complementar, como gás natural e biometano. Para investidores, como aponta análise do BTG Pactual, a decisão de financiar grandes centros de dados depende menos de incentivos pontuais e mais de previsibilidade regulatória, segurança energética e capacidade de escalar a infraestrutura ao longo de décadas.
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O desafio final é de coordenação. A expansão dos data centers coloca o Brasil diante de uma escolha estrutural: tratar esses projetos apenas como ativos isolados ou integrá-los a uma política industrial que articule energia, regulação, formação de talentos e desenvolvimento regional. A forma como essa agenda será conduzida nos próximos anos definirá se a nova geografia da infraestrutura digital resultará em polos desconectados ou em um redesenho mais amplo do mapa econômico do país.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

