De olho na Lua e em Marte, NASA deixa clima em segundo plano

A NASA anunciou que vai reduzir seu foco em pesquisas sobre o clima da Terra para priorizar a exploração espacial. A decisão, revelada pelo administrador interino Sean Duffy, segue a proposta orçamentária do presidente Donald Trump, que prevê cortes expressivos nos programas de ciências da Terra. A medida levanta preocupações entre cientistas, que alertam para o risco de lacunas no monitoramento climático e prejuízos às previsões meteorológicas, áreas nas quais a agência é referência global.

Em entrevista à Fox Business, Duffy afirmou que a verdadeira missão da NASA é explorar o espaço, e não estudar o clima. O chefe interino destacou que os esforços futuros estarão voltados para missões à Lua, a Marte e para a órbita baixa terrestre após a aposentadoria da Estação Espacial Internacional, prevista para depois de 2030. Ele comparou a nova orientação com o legado do programa Apollo e ressaltou o papel do Artemis, que pretende levar astronautas novamente ao solo lunar.

A proposta de cortes, no entanto, não é definitiva. Em comunicado ao site Space.com, a NASA afirmou que nenhuma missão foi cancelada até o momento e que a decisão final sobre recursos dependerá do Congresso. Ainda assim, o orçamento projetado para 2026 prevê uma redução de 47% no financiamento científico da agência, o que poderia afetar quase 40 missões, entre elas a Orbiting Carbon Observatory 3 (OCO-3) e o CLARREO Pathfinder, ambos dedicados ao monitoramento climático.

Especialistas alertam que a redução pode comprometer registros históricos essenciais, como os de elevação do nível do mar, ciclos de carbono e dinâmica atmosférica. Embora defensores da medida apontem que outras agências, como a NOAA, poderiam assumir parte dessas funções, a mudança representaria uma retração sem precedentes na pesquisa climática global. Dentro da própria NASA, funcionários expressam preocupação com a continuidade de seus cargos e projetos, enquanto a disputa orçamentária avança para o Congresso, que deve definir o futuro da agência em outubro.

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