No Centro Nacional de Convenções, em Hanói, o estande do Departamento de Topografia, Cartografia e Informação Geográfica do Vietnã foi um dos destaques das comemorações pelos 80 anos do setor Agropecuário e Ambiental. Inserida na mostra “80 Anos de Conquistas do Setor Agropecuário e Ambiental – Rumo à Era Verde”, a apresentação contou a trajetória do país na produção de mapas, dos primeiros levantamentos em papel até a construção de um “espaço digital” nacional. Entre autoridades, técnicos e estudantes, o fluxo constante de visitantes mostrou como a cartografia saiu dos bastidores da gestão pública para ocupar lugar de vitrine na agenda da transformação digital.
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A exposição começou pelo passado. Mapas administrativos em grande escala, documentos dos primeiros levantamentos após a restauração da paz e registros da demarcação de fronteiras lembram o esforço de gerações de engenheiros e topógrafos que percorreram montanhas e florestas para medir cada centímetro do território. Esses materiais ajudam a entender como a cartografia se consolidou como instrumento estratégico para afirmar a soberania nacional e organizar as unidades administrativas do país. Para muitos visitantes, a sensação era de percorrer um arquivo vivo do Estado vietnamita, em que cada linha traçada no papel representava uma escolha de política territorial.
No núcleo da mostra, o foco se desloca do passado para as tecnologias hoje em operação. Modelos 3D do relevo vietnamita, produzidos com tecnologia LiDAR, permitem visualizar o terreno com precisão centimétrica. Drones (VANTs) exibidos no estande mostram como a captura de imagens geoespaciais se tornou mais rápida e flexível, reduzindo tempo de campo e custos de operação. A apresentação da rede nacional GNSS e das estações de posicionamento por satélite reforça a virada para um sistema integrado de coordenadas, que alimenta aplicações em planejamento urbano, transportes, agricultura de precisão e defesa.
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A transição do mapa estático para plataformas digitais interativas também ganhou destaque. Mapas webGIS, bancos de dados geoespaciais nacionais, modelos digitais de superfície e sistemas de análise apoiados por inteligência artificial foram demonstrados como ferramentas de apoio à decisão em políticas públicas. Em vez de servir apenas para registrar o território, os dados geoespaciais passam a sustentar projeções, simulações e cenários de risco, da gestão ambiental à infraestrutura. Autoridades do setor defendem que esses dados constituem um recurso digital estratégico, comparável a outros ativos críticos para o desenvolvimento econômico e social.
Um espaço específico da mostra foi dedicado à demarcação de fronteiras com China, Laos e Camboja, com mapas, fotos e equipamentos de campo que documentam décadas de trabalho. A mensagem é que a modernização tecnológica não rompe com essa missão histórica: ao contrário, amplia as condições para monitorar limites, planejar o uso do solo e responder a emergências climáticas ou ambientais. Ao combinar memória e inovação no mesmo estande, o Vietnã buscou sinalizar que a digitalização da cartografia não é apenas um salto técnico, mas parte de uma estratégia mais ampla de gestão territorial e afirmação de soberania na era dos dados.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

