Embrapa e Itaipu triplicaram a capacidade de retenção de água de terraços agrícolas em uma área de 115 hectares de Toledo, no oeste do Paraná, ao redesenhar as estruturas com apoio de drones e modelos digitais do relevo. O resultado, divulgado em 20 de outubro, mostra uma aplicação direta da geotecnologia na lavoura: identificar por onde a enxurrada passa e dimensionar as barreiras para conservar o solo e a água.
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O projeto substituiu 43 terraços por 29 estruturas reformuladas. A altura média passou de 26 para 72 centímetros, e a retenção estimada aumentou de 22 para 71 milímetros de água. O diagnóstico combinou a forma do terreno com a capacidade de infiltração do solo, utilizando o software Terraço 4.1, da Universidade Federal de Viçosa. A quantidade de terraços, sozinha, dizia pouco sobre o desempenho que eles conseguiam entregar.
O redesenho considerou também a operação das máquinas. O espaçamento horizontal médio aumentou de 28 para 51 metros, acomodando equipamentos maiores e reduzindo manobras. Entre 2019 e 2024, a microbacia enfrentou chuvas superiores a 30 milímetros por dia sem apresentar os sinais de erosão e formação de sulcos relatados na avaliação. Os resultados correspondem à área acompanhada e oferecem uma referência para testar a metodologia em outras condições de solo e relevo.
Uma segunda frente da pesquisa procura reconhecer os terraços próximos de falhar antes de seu rompimento. A Capacidade Estrutural Relativa relaciona o armazenamento da estrutura ao escoamento superficial esperado, permitindo distinguir condições seguras, marginais e de falha. O estado intermediário merece atenção porque pequenas mudanças na chuva ou no manejo podem comprometer o funcionamento. Esse diagnóstico ajuda a separar situações corrigíveis pelo manejo daquelas que exigem uma intervenção física no sistema.
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Lebna Landgraf, da Embrapa Soja, assina a reportagem, com explicações de Júlio Franchini e Henrique Debiasi. Os estudos técnicos publicados pela instituição detalham o redimensionamento e o diagnóstico hidrológico. Para o planejamento de bacias, a contribuição é vincular o investimento em conservação a problemas localizados e mensuráveis: onde a água se concentra, quanto o terraço suporta e qual intervenção é necessária, em vez de reformar estruturas apenas por sua aparência.
Documentação complementar: Estudo sobre redimensionamento • Diagnóstico hidrológico
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.



