Entenda a nova regionalização ecológica proposta pelo IBGE

Por IBGE

O IBGE apresentou uma nova proposta de regionalização natural do território nacional, baseada em critérios ecológicos e ambientais, em vez dos limites político-administrativos tradicionais. A investigação experimental, intitulada “Domínios e Regiões Naturais Terrestres dos Biomas do Brasil”, detalha a diversidade interna dos biomas e inclui também as ilhas oceânicas. O estudo foi divulgado em evento na Casa Brasil IBGE COP-30, em Belém, e pretende servir de referência para estatísticas ambientais, sociais e econômicas.

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Na nova abordagem, o país é descrito a partir de 52 domínios naturais – grandes áreas com características físico-bióticas semelhantes – e 271 regiões naturais, que são subdivisões mais detalhadas desses domínios. Do total de domínios, 43 situam-se em áreas continentais, 8 no sistema costeiro e 1 abrange o conjunto das ilhas oceânicas. Entre as 271 regiões, 246 estão no interior do continente, 19 na faixa costeira e 6 nas ilhas. No interior continental, 183 regiões correspondem às áreas nucleares dos domínios e 63 representam zonas de transição, em geral entre biomas distintos.

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O mapeamento foi elaborado a partir de bases geoespaciais contínuas armazenadas no Banco de Dados e Informações Ambientais do IBGE, complementadas por informações de clima e hidrografia. Mesmo em áreas já fortemente alteradas pela ação humana, o estudo buscou recompor o quadro natural original das paisagens, com base na classificação da vegetação. Segundo o instituto, essa regionalização pode subsidiar políticas públicas e pesquisas relacionadas à contabilidade do capital natural, criação e redefinição de unidades de conservação e geoparques, gestão ambiental e estudos de biodiversidade, incluindo a identificação de áreas endêmicas de flora e fauna.

As diferenças internas dos biomas orientaram a identificação dos domínios e regiões naturais. Nos biomas Amazônia e Mata Atlântica, de caráter predominantemente florestal, a diversidade de feições geológicas, geomorfológicas e de solos se combina com variações na tipologia da vegetação, dando origem a múltiplas regiões naturais. No caso amazônico, por exemplo, aparecem florestas ombrófilas e estacionais sobre planaltos, depressões e bacias sedimentares, além de campinaranas e savanas em áreas específicas, enquanto o sistema costeiro abrange o litoral do Amapá ao Maranhão, incluindo a foz do Amazonas e manguezais extensos.

Nos biomas de natureza campestre ou savânica – Caatinga, Cerrado, Pantanal e Pampa, que incluem a chamada “Diagonal Seca Sazonal” da América do Sul – a diferenciação ocorre sobretudo pela geodiversidade. A Caatinga é marcada por savanas-estépicas em solos rasos e pedregosos, com áreas úmidas de exceção em chapadas; o Cerrado se distribui por chapadas, planaltos e planícies aluviais; o Pantanal se organiza em grandes leques aluviais com mosaico de savanas e florestas estacionais; e o Pampa se apoia em estepes sobre rochas da Bacia do Paraná e extensas planícies lagunares. Ao reunir essas nuances em uma base única de domínios e regiões naturais, o IBGE oferece uma leitura mais fina da organização ecológica do território, com potencial de orientar decisões de conservação, ordenamento territorial e uso sustentável dos biomas brasileiros.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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