A Câmara Municipal do Funchal, Portugal, prevê ter implementada até meados de 2028 uma nova ferramenta estratégica para a gestão do território: a Fnc.citylab, Plataforma de Gestão Territorial Inteligente. O projeto, no valor de 1,08 milhão de euros, já teve a operação aprovada e conta com financiamento de 85% do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. A autarquia apresenta a iniciativa como estruturante para a modernização dos serviços públicos municipais, em especial nas áreas de planeamento urbano, ordenamento, ambiente, proteção civil e fiscalização.
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Responsável pela tutela da área, o vereador Paulo Lobo explica que a operação se insere no Instrumento Territorial Integrado da Área Urbana Funcional do Funchal, no âmbito do Madeira 2030. Segundo ele, trata-se de “um investimento que coloca o município na linha da frente da modernização dos serviços públicos”, ao reforçar a integração entre departamentos e consolidar uma abordagem mais informada do território. A Divisão de Informação Geográfica do Departamento de Planeamento e Ordenamento do Território terá papel central na execução, assegurando a gestão da infraestrutura municipal de dados espaciais.
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Na prática, o Fnc.citylab combinará drones, sensores ambientais, imagens de satélite, LIDAR, modelação 3D, inteligência artificial, big data e digital twins para criar um sistema integrado de recolha, análise e disponibilização de informação geoespacial. Entre as funcionalidades previstas estão a produção e atualização regular de cartografia 2D e 3D, identificação mais rápida de alterações no território, análise preditiva de fenómenos urbanos e ambientais e acesso direto a indicadores socioeconômicos e ao portal de dados abertos. A expectativa é reforçar a transparência municipal e qualificar a tomada de decisões estratégicas.
No campo operacional, a autarquia destaca que o novo sistema permitirá melhorias significativas na qualidade e na disponibilidade da informação utilizada diariamente por serviços de planeamento, ambiente, informática e fiscalização. Ferramentas mais robustas passarão a apoiar cenários urbanos, acompanhar indicadores e projetar tendências de desenvolvimento com impacto em ordenamento, mobilidade, habitação e sustentabilidade. A Divisão de Fiscalização Urbanística também deverá ser reforçada, com ganho de capacidade de atuação em campo por meio de apps, sistemas móveis de registo e tecnologias de observação que facilitem o acompanhamento de ocorrências no terreno.
Segundo Paulo Lobo, as transformações tecnológicas previstas serão acompanhadas por investimentos em novas competências internas, com o objetivo de consolidar uma administração pública mais moderna, eficiente e preparada para responder aos desafios presentes e futuros de gestão do território. A Câmara considera que o Fnc.citylab marca um passo decisivo na construção de uma visão integrada do município, aproximando cidadãos, serviços e dados em torno de uma plataforma única de inteligência territorial.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

