Marcelo Copelli, em reportagem para Le Monde Diplomatique Brasil, analisa como a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um fator central de poder entre Estados, empresas e blocos econômicos, influenciando desde mercados financeiros até sistemas de defesa e políticas públicas. O avanço acelerado da tecnologia, associado à concentração de dados e capacidade computacional, transformou a IA em um recurso estratégico que passa a integrar a lógica da soberania e da segurança nacional.
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A competição entre Estados Unidos e China é o principal eixo dessa nova disputa. Washington mantém liderança em investimentos privados, semicondutores avançados e empresas que dominam modelos de larga escala, enquanto Pequim acelera sua capacidade de pesquisa, produção e aplicação em setores civis e militares. O controle de cadeias produtivas, infraestrutura de nuvem e padrões técnicos passou a ser tratado como variável de política externa, com impactos diretos sobre alianças, comércio e dependências tecnológicas.
A União Europeia tenta ocupar um espaço próprio ao apostar em marcos regulatórios e governança de dados como forma de proteger direitos e reduzir assimetrias, mesmo com menor peso industrial no setor. O chamado “modelo europeu” busca limitar riscos de vigilância, discriminação algorítmica e abuso de poder econômico, mas enfrenta o desafio de não ficar tecnologicamente subordinado a plataformas e fornecedores externos.
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Os efeitos sociais acompanham essa reconfiguração. Relatórios de organismos internacionais indicam que uma parcela significativa dos empregos pode ser afetada pela automação baseada em IA na próxima década, com impactos desiguais entre países e setores. Ao mesmo tempo, o controle de grandes volumes de dados por poucas empresas e governos amplia a capacidade de influenciar comportamentos, mercados e o debate público, colocando pressão sobre sistemas democráticos e sobre a regulação da informação.
No caso do Brasil e da América Latina, o cenário combina riscos e oportunidades. A região dispõe de ativos relevantes em ciência, energia, agronegócio e biodiversidade, mas ainda carece de uma estratégia coordenada para reduzir dependências externas e desenvolver capacidades próprias em inteligência artificial. Sem políticas públicas e marcos regulatórios consistentes, a tecnologia tende a aprofundar assimetrias; com eles, pode ser usada como instrumento de desenvolvimento, inclusão e inserção mais equilibrada na nova geopolítica digital.
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