O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou uma proposta inédita para o mapeamento das Áreas Verdes Urbanas no Brasil. O estudo, de caráter experimental, busca abrir o debate sobre uma metodologia nacional capaz de mensurar e classificar esses espaços de forma padronizada. Para os testes iniciais, foram escolhidos os municípios de Guarulhos (SP) e Palmas (TO), que representam realidades urbanas distintas em termos de clima, vegetação e organização territorial.
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A proposta foi desenvolvida pela Diretoria de Geociências (DGC) e apresentada como base para discussão com especialistas, gestores e a sociedade civil. A ideia é que, a partir das contribuições externas, o método possa ser consolidado e aplicado em todo o território nacional. Segundo a pesquisadora responsável, Manuela Mendonça de Alvarenga, o objetivo é construir uma ferramenta capaz de orientar políticas públicas, apoiar o planejamento urbano e reforçar o debate sobre sustentabilidade nas cidades brasileiras.
O estudo parte da definição de áreas verdes estabelecida pelo Código Florestal, considerando espaços públicos ou privados com cobertura vegetal que oferecem funções ambientais e sociais. A classificação também incorporou parâmetros do Ministério do Meio Ambiente e da ONU-Habitat, além de integrar informações de cartografia colaborativa e imagens de satélite. Esses cruzamentos permitiram identificar não apenas parques e praças, mas também áreas menos evidentes que exercem papel na regulação climática e no bem-estar urbano.
Os resultados apontam diferenças significativas entre os municípios testados. Em Guarulhos, as áreas verdes urbanas somaram cerca de 7 mil hectares, equivalentes a 45% da área urbanizada do município, enquanto em Palmas a proporção chegou a 49%, considerando também o entorno imediato do centro urbano. No entanto, ao restringir o recorte para dentro do espaço estritamente urbanizado, a capital do Tocantins registrou forte redução – apenas 10% de cobertura verde, revelando a concentração dos espaços vegetados nas margens de rios e áreas não ocupadas.
Com base nesse levantamento, o IBGE avalia que a metodologia pode ser replicada e refinada em outras cidades brasileiras, respeitando suas especificidades. O ano de 2022 foi utilizado como referência, em função da disponibilidade de dados do Censo Demográfico e de imagens atualizadas de satélite. A proposta também prevê que futuras edições do levantamento possam acompanhar as atualizações das Áreas Urbanizadas do IBGE, criando séries históricas comparáveis.
Um dos próximos passos é incorporar inteligência artificial para automatizar a atualização dos mapas. A ideia é que os algoritmos, treinados a partir da primeira versão consolidada, possam identificar mudanças com mais rapidez e precisão, ampliando o monitoramento das áreas verdes em escala nacional. Para o IBGE, o projeto experimental representa um avanço importante na integração entre estatísticas, geotecnologias e políticas de desenvolvimento urbano sustentável.
Com informações do IBGE.
ISSN 3086-0415, produção de Luiz Ugeda.

