Mapeamento revela as estruturas mais antigas da América do Sul

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

Técnicas de tomografia estão redefinindo os limites e a compreensão das estruturas rochosas formadas há bilhões de anos no subsolo sul-americano. Utilizando princípios semelhantes aos dos exames médicos, pesquisadores identificaram uma inesperada fragmentação em camadas localizadas a até 600 quilômetros de profundidade. Os resultados desafiam mapas geológicos anteriores e reforçam a necessidade de investigações mais detalhadas para compreender a composição do continente.

Um estudo recente publicado na revista Gondwana Research revelou que o cráton amazônico, antes considerado uma estrutura única e ovalada, pode na verdade ser composto por duas unidades distintas separadas a aproximadamente 200 quilômetros abaixo da superfície. Outras regiões, como o cráton do São Francisco, também tiveram seus limites revisados, sugerindo uma extensão maior do que a previamente conhecida. Além disso, foram detalhados blocos cratônicos antes ocultos sob camadas sedimentares, como os das bacias do Parnaíba e do Paranapanema.

Essas novas informações são fundamentais para entender tanto a evolução geológica quanto biológica do continente. A formação da Cordilheira dos Andes, por exemplo, alterou o fluxo dos rios e influenciou o surgimento de novas espécies na Amazônia. Além disso, os dados contribuem para a localização de províncias minerais ricas em diamantes e outros recursos naturais, cuja formação depende de condições geológicas específicas.

O vulcanismo também é um aspecto essencial dessa investigação. Regiões como a ilha de Marajó e Dourados (MS) apresentam evidências de atividades magmáticas passadas, enquanto locais como Poços de Caldas (MG) ainda preservam sinais da ascensão de magma há milhões de anos. O Pico do Cabugi, no Rio Grande do Norte, é um exemplo raro de vulcão cuja estrutura se manteve preservada.

As descobertas provocaram debates na comunidade científica, com divergências sobre a fragmentação do cráton amazônico e a exatidão dos modelos geofísicos. No entanto, todos concordam que os avanços na tomografia da litosfera representam um passo significativo para decifrar a história geológica da América do Sul, revelando detalhes que, até então, permaneciam ocultos a quilômetros de profundidade.

Para acessar a pesquisa, clique aqui.

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