Ana Lacerda, em artigo publicado pelo Rdnews, analisa os impactos da adoção de tecnologias de monitoramento remoto pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e os desafios jurídicos associados ao uso de evidências digitais na fiscalização do setor mineral. A discussão ganha relevância em um contexto de crescente utilização de imagens de satélite, georreferenciamento, inteligência artificial e integração de bases de dados para acompanhar transformações no território e identificar possíveis irregularidades em áreas de exploração mineral.
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A mudança foi formalizada pela Ordem de Serviço nº 162/2026, que instituiu a Política de Monitoramento Remoto da Fiscalização (PMRF). A norma estrutura um modelo de fiscalização em camadas, combinando triagem automatizada, análise técnica especializada e vistorias presenciais direcionadas. Na prática, a medida permite ampliar a cobertura territorial da fiscalização, especialmente em regiões remotas ou de difícil acesso, onde a presença permanente de equipes de campo é limitada.
A utilização de ferramentas geoespaciais tende a alterar a forma como o Estado acompanha a ocupação e a transformação das áreas minerárias. Alertas automatizados e imagens de alta resolução permitem detectar movimentações de solo, supressão de vegetação e alterações na paisagem com maior rapidez. Esse modelo contribui para a identificação de áreas prioritárias para inspeção e pode reduzir custos operacionais, além de aumentar a capacidade de resposta dos órgãos reguladores.
Entretanto, o artigo destaca que os registros digitais não possuem valor absoluto para caracterizar infrações. A interpretação de imagens e dados geoespaciais depende de análise técnica e pode ser influenciada por fatores naturais, limitações metodológicas ou particularidades locais. Por essa razão, a própria regulamentação da ANM prevê que as evidências obtidas remotamente sejam utilizadas como elementos de apoio à fiscalização, e não como fundamento único para responsabilizações administrativas.
A adoção crescente de sistemas de monitoramento remoto evidencia uma tendência mais ampla de digitalização da governança territorial no Brasil. No setor mineral, a combinação entre inteligência geoespacial e fiscalização presencial passa a ocupar papel central na gestão dos recursos naturais. O desafio consiste em equilibrar eficiência regulatória, segurança jurídica e respeito às garantias do devido processo administrativo, assegurando que a transformação digital da fiscalização ocorra sem afastar a necessidade de validação técnica em campo.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

