Uma parceria entre a Microsoft, a empresa de tecnologia espacial Space42 e a desenvolvedora de sistemas de geoinformação Esri pretende criar o mapa-base mais detalhado já produzido sobre o continente africano. Batizado de Iniciativa Map Africa, o projeto tem duração prevista de cinco anos e cobrirá os 54 países africanos, fornecendo dados geoespaciais de alta resolução para apoiar políticas públicas, investimentos privados e planejamento urbano e ambiental.
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O esforço surge diante da dificuldade enfrentada por diversos países africanos, que ainda dependem de mapas fragmentados, desatualizados ou de difícil acesso. Essa falta de informações confiáveis compromete desde a definição de rotas logísticas até o monitoramento de recursos naturais e a preparação para eventos climáticos extremos. A iniciativa foi formalizada em julho, durante a Conferência de Usuários de geotecnologias realizada em San Diego, nos Estados Unidos.
Pelo acordo, a Space42, sediada nos Emirados Árabes Unidos, será responsável pela captação de recursos e pela oferta de imagens de satélite. A Microsoft disponibilizará infraestrutura em nuvem e recursos de inteligência artificial por meio da plataforma Azure, enquanto a Esri cuidará da organização e processamento dos dados, além de apoiar a formação de equipes técnicas locais. A intenção é que os dados sejam licenciados aos governos nacionais e futuramente geridos por agências africanas de mapeamento.
Especialistas apontam que a qualidade e a abrangência dos dados poderão trazer benefícios concretos em áreas como segurança alimentar, monitoramento climático, expansão da energia renovável e gestão de portos e rodovias. Também há expectativa de impacto positivo para startups e empresas locais que atuam em economias digitais e cidades inteligentes, uma vez que o acesso a dados confiáveis é visto como condição essencial para inovação e atração de investimentos.
A previsão é que os dados gerados sejam armazenados em data centers distribuídos pelo continente, sob gestão da Space42 e da Microsoft, reforçando a infraestrutura digital africana. Analistas avaliam que, se bem implementada, a Iniciativa Map Africa pode reduzir a dependência externa em informações geoespaciais, além de criar um ambiente mais seguro e transparente para o desenvolvimento econômico e social da região.

