Observatório Vera Rubin inicia mapeamento inédito do céu e terá participação de 170 cientistas brasileiros

Por NASA

O Observatório Vera Rubin, inaugurado neste ano no Cerro Pachón, no Chile, promete revolucionar a astronomia mundial. Com a maior câmera digital já construída, de 3.200 megapixels, o telescópio será capaz de mapear todo o céu visível ao longo dos próximos dez anos. O equipamento, resultado de um investimento de US$ 810 milhões financiado pelos Estados Unidos, já produziu imagens de tirar o fôlego durante sua fase de testes, revelando detalhes inéditos de aglomerados de galáxias, nebulosas e até asteroides em movimento.

Embora seja uma iniciativa norte-americana, o Vera Rubin contará com forte presença internacional. Cerca de 3 mil pesquisadores de 30 países terão acesso aos dados, e o Brasil garantiu a participação de aproximadamente 170 cientistas, incluindo 34 pesquisadores principais. Muitos deles estão vinculados a instituições paulistas, como a USP e a Unesp, e contam com apoio da FAPESP para desenvolver projetos de ponta em áreas como energia escura, lentes gravitacionais e aprendizado de máquina aplicado à classificação de galáxias.

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Para dar conta da imensa quantidade de informações que será gerada — estima-se que apenas no primeiro ano o volume supere todos os dados já produzidos por telescópios anteriores —, o Brasil também será peça-chave na infraestrutura de processamento. Um centro de dados instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ), vai receber, analisar e distribuir parte dos registros captados no Chile. A iniciativa, apoiada pela Finep, integra uma rede mundial de dez centros de dados conectados para dar suporte ao projeto.

O impacto científico é de grande escala. Nos dez anos de operação, o Vera Rubin deverá detectar 38 bilhões de objetos celestes, incluindo galáxias, estrelas e asteroides, além de acompanhar milhões de explosões estelares e eventos cósmicos transitórios. Cada ponto do céu será registrado centenas de vezes, permitindo criar uma espécie de “filme” do Universo em evolução. Os pesquisadores brasileiros esperam usar esse material para testar novas teorias sobre a expansão cósmica, a natureza da matéria e energia escuras e a formação de grandes estruturas no espaço.

Mais do que imagens espetaculares, o Vera Rubin marca a chegada definitiva da era do big data à astronomia. A expectativa é que, a cada noite de observação, o telescópio emita até 10 milhões de alertas sobre potenciais descobertas, desafiando cientistas de todo o mundo a desenvolver novas técnicas de análise e interpretação. Para o Brasil, além da oportunidade científica, o projeto representa inserção estratégica em uma das mais avançadas colaborações internacionais da atualidade.

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