Relatório da Eurasia aponta ativos estratégicos do Brasil em cenário de rivalidade entre potências

O Brasil reúne um conjunto de ativos que se tornam cada vez mais valiosos em um contexto de conflitos geopolíticos entre grandes potências, segundo avaliação da consultoria Eurasia. Em relatório divulgado em 29 de janeiro de 2026, a empresa afirma que disputas internacionais vêm atribuindo um “prêmio” a países capazes de oferecer segurança alimentar e energética, cadeias de fornecimento resilientes, minerais críticos e energia limpa para setores intensivos em dados — áreas nas quais o Brasil apresenta vantagens estruturais.

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De acordo com a Eurasia, o país se destaca como potência agrícola, com a maior disponibilidade mundial de terras aráveis passíveis de expansão sem desmatamento. Embora a China siga como principal destino da soja brasileira, o relatório aponta que o Brasil está bem posicionado para ampliar exportações para outras regiões da Ásia e para a África, impulsionadas pelo crescimento populacional. A consultoria também destaca que cerca de 90% da matriz energética brasileira é composta por fontes limpas, fator que aumenta a atratividade do país para centros de dados e indústrias pressionadas a reduzir emissões de carbono.

O relatório menciona ainda o papel estratégico do Brasil no setor de energia e minerais. A produção de petróleo segue em expansão e deve atingir seu pico no início da década de 2030, enquanto o país abriga uma das maiores reservas conhecidas de terras raras. Nesse campo, o Brasil aparece, ao lado da Austrália, como uma alternativa relevante à China, especialmente após restrições chinesas às exportações de minerais críticos, ampliando o interesse de países ocidentais por fornecedores diversificados.

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A Eurasia aponta dois episódios recentes como evidência da valorização geopolítica desses ativos. O primeiro é o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, impulsionado tanto pela guerra na Ucrânia quanto pelo aumento das tensões transatlânticas após o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. O segundo é o recuo do governo americano em relação a tarifas elevadas impostas a produtos brasileiros, após pressão de empresas dos EUA com interesses no país. Para a consultoria, o movimento reflete menos fatores políticos conjunturais e mais o cálculo estratégico de Washington diante dos recursos e da posição internacional do Brasil.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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