O Governo de São Paulo passou a utilizar um sistema de monitoramento por satélite e inteligência artificial para acompanhar aproximadamente mil quilômetros dos rios Tietê e Pinheiros, além de reservatórios estratégicos do estado. A tecnologia analisa continuamente as condições da superfície da água, permitindo identificar alterações ambientais em grandes extensões territoriais e emitir alertas que apoiam a atuação das equipes de fiscalização ambiental.
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O monitoramento utiliza imagens de satélite capazes de detectar variações na concentração de matéria orgânica dissolvida na água, um indicador frequentemente associado ao lançamento de esgoto. As informações são processadas por algoritmos de inteligência artificial e integradas a uma base de dados que reúne medições da rede de monitoramento da Cetesb, informações sobre estações de tratamento de esgoto, empreendimentos licenciados e áreas já fiscalizadas. O sistema também acompanha a proliferação de algas em reservatórios, em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Do ponto de vista territorial, a iniciativa representa uma mudança na forma de acompanhar a dinâmica ambiental das bacias hidrográficas. Em vez de depender exclusivamente de campanhas presenciais de monitoramento, o sistema produz informações geoespaciais contínuas sobre diferentes trechos dos rios, permitindo identificar padrões espaciais de degradação da qualidade da água e priorizar áreas para inspeção. Os dados são apresentados em mapas temáticos que classificam os níveis de matéria orgânica, facilitando a localização de trechos com maior potencial de impacto ambiental.
Quando são identificadas alterações consideradas relevantes, o sistema gera alertas automáticos que orientam o deslocamento das equipes técnicas para verificações em campo. Em situações específicas, drones podem complementar a inspeção remota, ampliando a capacidade de investigação dos locais apontados pelo monitoramento. A integração entre sensoriamento remoto, inteligência artificial e fiscalização busca reduzir o tempo de resposta diante de possíveis ocorrências de poluição e direcionar de forma mais eficiente os recursos operacionais.
A adoção da nova tecnologia integra um conjunto de ações voltadas à modernização da fiscalização ambiental paulista. Desde 2023, o governo estadual informa ter investido mais de R$ 43 milhões na ampliação da capacidade operacional da Cetesb, ao mesmo tempo em que atualizou as regras de penalização ambiental. A combinação entre monitoramento territorial contínuo e critérios mais rigorosos para autuações tende a fortalecer a identificação de irregularidades em empreendimentos com potencial poluidor, reforçando o papel das tecnologias geoespaciais na gestão e proteção dos recursos hídricos.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

