Satélites transformam a gestão da água no campo e ampliam o monitoramento de bacias hidrográficas no Brasil

Helena Duarte, do Diário Carioca, relata que o monitoramento dos recursos hídricos brasileiros por meio de imagens de satélite vem ganhando espaço como resposta aos riscos crescentes de escassez de água em regiões agrícolas. O movimento ocorre em um contexto de elevada dependência hídrica da produção de cana-de-açúcar, especialmente em São Paulo, principal polo sucroenergético do país. Com parte significativa das lavouras dependente das chuvas e outra parcela sustentada por sistemas de irrigação, a disponibilidade de água passou a ocupar posição central no planejamento territorial das áreas agrícolas.

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A incorporação de dados provenientes dos satélites CBERS, fruto da cooperação entre Brasil e China, além de informações geradas por missões da NASA e do programa europeu Copernicus, permite acompanhar mudanças na umidade do solo, nos níveis de reservatórios e nos padrões de uso da terra. A utilização dessas informações reduz a dependência de levantamentos pontuais e amplia a capacidade de monitoramento contínuo de grandes extensões territoriais, incluindo bacias hidrográficas sujeitas a pressões decorrentes da expansão agrícola.

As repercussões territoriais desse avanço são particularmente relevantes em regiões onde a disponibilidade hídrica já apresenta sinais de estresse. Estudos recentes apontam que a intensificação do uso agrícola em determinadas bacias tem alterado os fluxos hidrológicos locais, aumentando a evapotranspiração e reduzindo a margem de segurança dos sistemas de abastecimento. O monitoramento orbital permite identificar essas mudanças com maior antecedência, oferecendo subsídios para decisões relacionadas à gestão de recursos hídricos, outorgas de uso da água e planejamento da irrigação.

Entre as aplicações já em curso, destacam-se os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Territorial, que combinam imagens de satélite e inteligência artificial para mapear áreas irrigadas com maior precisão. Em polos agrícolas de Goiás e Mato Grosso, a tecnologia vem sendo utilizada para delimitar áreas produtivas, acompanhar expansões recentes e identificar padrões de uso da água. A disponibilidade desses dados contribui para a elaboração de diagnósticos territoriais mais detalhados, permitindo uma leitura mais precisa das transformações em curso no espaço rural brasileiro.

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A crescente integração entre observação da Terra, inteligência artificial e gestão hídrica sinaliza uma mudança na forma como o território é monitorado e administrado. Mais do que uma inovação tecnológica, a utilização de imagens orbitais amplia a capacidade de acompanhamento das condições ambientais em escala regional, fornecendo informações que podem influenciar políticas públicas, estratégias de adaptação climática e mecanismos de governança das bacias hidrográficas. Em um cenário de eventos climáticos mais frequentes e extremos, o acesso a dados territoriais atualizados tende a ganhar relevância para produtores, gestores públicos e usuários dos recursos hídricos.

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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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