Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA, Estados dispostos a dividir os custos com o governo federal para o mapeamento de minerais críticos deverão ter prioridade no acesso aos levantamentos aerogeofísicos programados para 2026. A estratégia foi anunciada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, diante da restrição orçamentária prevista para o próximo ano e da crescente demanda por dados sobre insumos estratégicos da transição energética.
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O serviço, parte do mapeamento geológico nacional, busca identificar a ocorrência e o potencial de reservas de minerais críticos, como terras raras, grafita, cobre e níquel, hoje no centro de disputas geopolíticas. Em entrevista à Agência iNFRA, o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Francisco Valdir Silveira, afirmou que a parceria com os estados permite ampliar o ritmo de execução dos contratos e direcionar recursos para regiões com maior capacidade de atrair investimentos privados, já que os dados produzidos serão disponibilizados ao mercado.
Segundo o diretor, há tratativas em curso com os governos da Bahia, Minas Gerais, Goiás e Tocantins, estados contemplados no PlanGeo 2025–2034, planejamento decenal do setor. A priorização, explicou, funciona como um incentivo financeiro: ao compartilhar os custos, os estados ganham precedência na contratação dos levantamentos, cuja execução depende essencialmente da disponibilidade de recursos. Silveira lembrou que, no ritmo atual, o país levaria mais de um século para conhecer seu território em escala cartográfica adequada.
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A estratégia também mira atrair as chamadas junior companies, especializadas nas fases iniciais de pesquisa mineral. De acordo com o SGB, o maior detalhamento das imagens aerogeofísicas reduz o risco exploratório e facilita a captação de capital para novos projetos, num contexto em que grandes mineradoras deixaram de investir em pesquisa básica. Além dos minerais críticos da transição energética, os dados incluirão informações sobre ouro, minério de ferro, potássio e fosfato, relevantes para o mercado internacional e para a segurança da produção agrícola.
A retomada dos levantamentos ocorreu em 2025, no sudeste do Tocantins, após uma década de interrupção por contenção de despesas públicas. O projeto prevê a cobertura de 20,3 mil km² ao custo de R$ 10,4 milhões, com uso de magnetometria, gamaespectrometria e gravimetria embarcadas em aeronaves de pequeno porte. Apesar do avanço tecnológico e da redução do custo global do contrato — estimado em R$ 700 milhões, ante R$ 1 bilhão em 2015 — o SGB aponta que seriam necessários cerca de R$ 80 milhões anuais para atender plenamente à demanda, frente aos R$ 8 milhões previstos no Novo PAC para 2026.
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