Samuel Possebon, do TELETIME News, informa que a Telebras abriu uma consulta ao mercado para definir as especificações do substituto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). O projeto prevê um novo equipamento em órbita geoestacionária, sob controle integral da estatal, associado a redes de satélites de órbita baixa e média para ampliar a cobertura e a distribuição dos serviços pelo território brasileiro.
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A proposta estabelece que o novo satélite deverá pertencer à Telebras, permanecer em posição orbital brasileira e ter seus sistemas operacionais e de banda base administrados pela empresa. A estatal descarta, portanto, a simples contratação de capacidade de terceiros ou a instalação de equipamentos em um satélite compartilhado sobre o qual não detenha controle. A diretriz procura assegurar autonomia sobre comunicações militares, estratégicas e de segurança pública.
A capacidade inicialmente considerada para o novo SGDC é de até 100 Gbps, ante aproximadamente 60 Gbps do satélite atual. O equipamento geoestacionário ficará concentrado nos serviços considerados críticos, enquanto conexões destinadas a escolas, unidades de saúde e outras estruturas governamentais poderão ser distribuídas por constelações complementares. Essa divisão tende a influenciar a forma como políticas públicas de conectividade alcançam áreas rurais, comunidades isoladas e municípios com infraestrutura terrestre limitada.
Como a Telebras não dispõe de orçamento para estabelecer constelações próprias de órbita baixa ou média, a futura contratação deverá incluir uma empresa capaz de integrar diferentes operadores em um sistema multi-órbita. Um dos pontos em avaliação é o grau de comando que a estatal poderá exercer sobre essas redes, incluindo a possibilidade de manter sua coordenação no Centro de Operações Espaciais de Brasília, com redundância no Rio de Janeiro, e de participar da gestão das estações terrestres utilizadas na operação.
A consulta ao mercado receberá contribuições até 15 de setembro. A expectativa é avançar ainda em 2026 na preparação da contratação, de modo que os recursos possam ser considerados no orçamento federal de 2027. Apesar do reconhecimento governamental sobre a necessidade de substituir o SGDC lançado em 2017, o financiamento do novo sistema ainda não está assegurado, o que mantém indefinidos o cronograma e o alcance territorial efetivo do projeto.
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Empresas como Viasat, SES, Hughes, Hispasat, Eutelsat/OneWeb, Telesat, Amazon, SpaceSail, Starlink, Astranis e Open Cosmos aparecem entre as possíveis participantes, além de operadoras que já prestam serviços ao governo brasileiro. A escolha dependerá não apenas da capacidade tecnológica, mas da disposição dos fornecedores em aceitar o controle operacional exigido pela Telebras. O resultado poderá definir quem administrará a infraestrutura responsável por conectar áreas estratégicas e sustentar comunicações públicas em diferentes partes do país nas próximas décadas.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

