Carlos Alves, no Tempo.pt, traz que as tempestades solares, muitas vezes lembradas apenas pelas auroras boreais e austrais que produzem, representam um risco direto para a extensa rede de satélites que monitoram a Terra. Flares, radiação intensa e ejeções de massa coronal (CMEs) podem afetar a órbita, a eletrônica de bordo e as comunicações desses equipamentos, obrigando equipas de missão de agências como a NASA e a NOAA a adotar rotinas permanentes de vigilância e mitigação para manter as operações em segurança.
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O chamado clima espacial manifesta-se, sobretudo, em três frentes que impactam de forma diferente os satélites, em especial aqueles em órbita baixa (LEO). A primeira é a alteração da atmosfera superior: quando uma tempestade solar injeta energia nessa região, a atmosfera aquece e se expande, aumentando o arrasto sobre os satélites. Isso acelera a perda de altitude e exige correções de órbita mais frequentes, consumindo combustível e, na prática, reduzindo a vida útil da missão.
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A segunda frente de impacto está ligada à radiação de partículas altamente energéticas, capazes de atravessar a blindagem dos equipamentos e atingir chips e sistemas de memória. Esse tipo de evento pode provocar as chamadas falhas de evento único (single-event upset), com inversão de bits em dados sensíveis e comandos. Nesses casos, muitos satélites migram automaticamente para o chamado modo de segurança (safe mode), interrompendo temporariamente a recolha de dados científicos, como já ocorreu com o satélite ICESat-2, da NASA, durante uma forte tempestade geomagnética.
O terceiro eixo de vulnerabilidade envolve as comunicações e a própria navegação. O aumento do arrasto altera os tempos de passagem dos satélites sobre as estações terrestres, dificultando a descarga de dados. Ao mesmo tempo, explosões de rádio solares (Solar Radio Bursts) podem interferir nas frequências utilizadas para comunicação e para sistemas de posicionamento, introduzindo erros na ionosfera que se repercutem nos sinais de GPS. Em conjunto, esses fatores pressionam a operação, que precisa ser constantemente ajustada a partir de alertas de clima espacial.
A dificuldade em prever com precisão esses eventos ficou evidente num episódio recente, em novembro de 2025, quando três CMEs ocorreram em dias sucessivos, entre 9 e 11 do mês. A ejeção de 11 de novembro, mais energética e mais rápida, obrigou o Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC), da NOAA, a rever cenários e intensificar a vigilância diante da expectativa de uma tempestade geomagnética de nível G4 (severa). Casos como esse reforçam a dependência de observatórios solares e modelos de previsão, bem como a necessidade de protocolos claros: avisos prévios permitem colocar satélites em modo de segurança ou executar manobras orbitais, minimizando danos a instrumentos de alto custo e preservando a continuidade das séries de dados que sustentam a monitorização do planeta.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

