Terremoto expõe fragilidade de políticas públicas de georriscos em Mianmar e Tailândia

Um forte terremoto atingiu a região do Sudeste Asiático hoje, provocando desabamentos em Mianmar e na Tailândia e deixando ao menos 28 mortos e centenas de feridos. Prédios ruíram em Mandalay e Naypyidaw, enquanto um hotel e uma mesquita colapsaram em cidades do interior. Em Bangkok, na Tailândia, a queda de um prédio em construção resultou na morte de três trabalhadores. O abalo sísmico expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade das infraestruturas locais e a fragilidade das políticas de prevenção de desastres naturais nos dois países.

Na Tailândia, a gestão de riscos geológicos é centralizada pelo Departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres (DDPM), responsável por implementar planos de resposta a emergências, sistemas de alerta e campanhas de conscientização. O país dispõe de tecnologias de sensoriamento remoto e dados geoespaciais para identificar áreas vulneráveis a terremotos, enchentes e deslizamentos. No entanto, os dados não são integrados em uma plataforma nacional aberta, o que dificulta a coordenação entre diferentes órgãos e o acesso público a essas informações.

Mianmar, por sua vez, enfrenta dificuldades ainda mais agudas. Embora exista um Comitê Nacional de Gestão de Desastres Naturais, o país carece de infraestrutura adequada e de pessoal técnico suficiente para lidar com emergências em larga escala. A recente sobrecarga dos hospitais e a falta de socorristas em cidades afetadas pelo terremoto ilustram esses gargalos. O país não conta com uma política estruturada de dados abertos nem com um sistema consolidado de mapeamento de riscos. A ausência de uma base de dados geoespaciais interoperável compromete tanto o planejamento urbano quanto a capacidade de resposta rápida.

A experiência da vizinha Indonésia, que compartilha desafios geográficos semelhantes, mostra como a adoção de políticas de dados integrados pode transformar a gestão territorial. A “One Map Policy”, lançada em 2011, unifica todas as informações geoespaciais governamentais em um único sistema digital e acessível, promovendo maior transparência, eficiência e prevenção de conflitos sobre uso do solo. Países como a Tailândia e Mianmar poderiam se beneficiar de estratégias semelhantes, especialmente em contextos de reconstrução e mitigação de riscos.

O terremoto que abalou a região não é um evento isolado — mas um alerta. A frequência e a intensidade dos desastres naturais aumentam com as mudanças climáticas e a urbanização acelerada. Sem acesso público a dados confiáveis e atualizados, tanto cidadãos quanto autoridades ficam à mercê de tragédias anunciadas. Investir em dados abertos e em políticas públicas integradas não é apenas uma questão técnica: é uma questão de salvar vidas.

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