Campos Neto prevê disrupção bancária e defende dados abertos como pilar da transformação financeira

Lucas Gabriel Marins, para o InfoMoney.com.br, trouxe que o sistema bancário tradicional está prestes a ser radicalmente transformado pelas forças da inovação e da tecnologia, segundo avaliação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Durante participação no evento Brazil: Macroeconomic Stability, Climate Change and Social Progress, promovido pela XP Private Bank na Universidade de Miami, ele afirmou que o modelo atual será inevitavelmente “disruptado”. “As forças que temos hoje, em termos de inovação, inevitavelmente irão ‘disruptar’ o sistema bancário tradicional como conhecemos hoje”, disse.

Entre as principais mudanças apontadas por Campos Neto estão o declínio dos bancos transacionais e a ascensão de plataformas financeiras globais. Segundo ele, instituições que antes lucravam com operações simples, como transferências e pagamentos, perderão espaço diante da consolidação de tecnologias como o Pix e o avanço das fintechs. Ao mesmo tempo, ele acredita que os bancos se tornarão plataformas com atuação internacional, especialmente com o fortalecimento de sistemas de pagamentos cross-border, que facilitarão transações entre países com mais rapidez e menores custos.

Campos Neto também deu destaque ao papel dos dados abertos (open data) e do open finance na reconfiguração do mercado. Para ele, essas práticas são fundamentais para reduzir a assimetria de informação entre instituições financeiras e consumidores. “O open data reduz muito a assimetria de informação”, explicou. Ao permitir que os usuários tenham maior controle sobre seus dados e possam compará-los entre diferentes instituições, o sistema financeiro tende a se tornar mais competitivo, transparente e centrado no cliente.

Outro ponto de ruptura mencionado por Campos Neto é a programabilidade do dinheiro, com o avanço de moedas digitais como as CBDCs e stablecoins. Ele destacou que países estão em diferentes estágios de adoção dessas tecnologias, mas que a transição será inevitável. Além disso, o futuro aponta para a integração total dos serviços financeiros: consumidores poderão acessar diversos produtos e instituições por meio de uma única plataforma, com maior autonomia e menores custos.

Para o ex-presidente do BC, a inovação digital, aliada à abertura dos dados e à integração dos sistemas financeiros, formará o alicerce de uma nova era bancária. Embora reconheça que há desafios regulatórios e tecnológicos, ele vê uma tendência irreversível. “Você vai ser capaz de obter mais produtos financeiros a um preço mais barato”, concluiu.

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