O Google suspendeu temporariamente uma ferramenta de inteligência artificial do Google Earth menos de 24 horas depois de seu lançamento. O recurso permitia modificar representações de lugares reais por meio de comandos de texto, combinando o modelo Nano Banana 2 com imagens de satélite, registros aéreos e visualizações tridimensionais da plataforma. A empresa informou que decidiu retirar a funcionalidade após identificar a circulação de conteúdos aparentemente contrários às suas políticas.
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Apresentada inicialmente como instrumento para visualizar projetos urbanos, reconstruir paisagens históricas e simular empreendimentos imobiliários, a tecnologia também foi usada para fabricar cenas de bombardeios, instalações nucleares, acampamentos de refugiados e alterações em edifícios existentes. Embora as imagens fossem marcadas como conteúdo produzido por IA e não fossem incorporadas à visualização pública do Google Earth, capturas de tela podiam ser compartilhadas fora da plataforma sem o contexto original.
A repercussão alcança diretamente a produção e a circulação de informações sobre o território. Imagens com aparência de registro aéreo são utilizadas por jornalistas, pesquisadores e organizações civis para verificar conflitos, desastres, ocupações urbanas, danos ambientais e transformações na paisagem. A possibilidade de gerar versões falsas de lugares identificáveis aumenta o custo da verificação e pode comprometer a confiança pública em documentos visuais empregados como evidência.
O episódio também expõe a necessidade de separar, de maneira inequívoca, dados territoriais observados de cenários produzidos por simulação. O Google afirmou que manterá a ferramenta desativada enquanto desenvolve mecanismos de proteção mais rigorosos. O desafio será preservar aplicações legítimas da IA no planejamento e na representação espacial sem converter plataformas cartográficas de referência em meios de fabricação de acontecimentos inexistentes.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

