A Península Ibérica parece fixa nos mapas, mas medições geodésicas mostram que o bloco gira lentamente no sentido horário enquanto África e Eurásia convergem. O movimento, estimado entre 4 e 6 milímetros por ano no Mediterrâneo ocidental, distribui deformações por uma faixa que alcança o litoral, cadeias montanhosas e zonas sísmicas.
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A leitura combina estações GNSS, mecanismos focais de terremotos, mapas de velocidade da crosta e modelos geodinâmicos. Em vez de um deslocamento uniforme, o conjunto revela uma placa submetida a compressão, extensão e acomodação interna, com respostas diferentes de uma região para outra.
O Golfo de Cádiz concentra compressão e risco sísmico; as Cordilheiras Béticas registram encurtamento e falhas ativas; o Mar de Alborão apresenta extensão. O Arco de Gibraltar funciona como zona de transferência dessas tensões entre o sul da Península e o norte da África.
A escala anual é quase imperceptível, mas a acumulação ao longo do tempo modifica a leitura de perigo. Redes GNSS permitem acompanhar onde a crosta está absorvendo esforço e ajudam a refinar estudos de falhas, terremotos e infraestrutura costeira sem pressupor que todo o território se move como uma peça rígida.
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Os dados não permitem traçar um único destino para a Península: a evolução depende de como a convergência continuará a ser repartida entre suas bordas e o interior. A reportagem é de Laila, na Revista Oeste.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.



