Francisco Turra, presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), escreveu no Correio do Povo que a rastreabilidade se tornou um requisito indispensável para a sobrevivência do agronegócio brasileiro no mercado global, com impactos diretos na produção de biocombustíveis voltada à exportação. Segundo ele, dominar os processos de rastreabilidade permitirá ao Brasil superar barreiras comerciais, atrair investimentos e se posicionar como líder em energias renováveis, transformando um desafio em oportunidade para ampliar práticas sustentáveis e transparentes.
Turra destacou que cerca de 70% da soja brasileira já está sob sistemas de rastreabilidade, reflexo do esforço do setor para atender às exigências de mercados internacionais. Embora o país possua normas setoriais relacionadas ao tema, como a Instrução Normativa 10/2007 e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), ainda não há uma legislação federal específica para rastrear grãos. Esse cenário ganha relevância frente à Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), aprovada em 2023, que proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas.
A exigência europeia impõe um desafio significativo para o Brasil, maior exportador global de commodities como soja e carne bovina. Turra afirma que as empresas precisarão adaptar rapidamente suas práticas de produção e cadeia de suprimento para atender aos novos requisitos, sob o risco de perder acesso a mercados estratégicos. Ao mesmo tempo, ele avalia que a legislação europeia impulsionará a adoção de boas práticas agrícolas e exigirá maior cooperação entre setor privado, governo e sociedade civil para viabilizar soluções em escala nacional.
No setor de biocombustíveis, Turra observa que empresas já investem em tecnologias de geoprocessamento e monitoramento por satélite para garantir a rastreabilidade da soja desde a origem, assegurando conformidade com os critérios ambientais. Esse esforço, alinhado à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), inclui sistemas de due diligence que rastreiam a origem da produção para assegurar o cumprimento das exigências legais. “Por isso, a rastreabilidade de produtos é um tema urgente na pauta do nosso agronegócio”, conclui Turra.
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