O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Receita Federal do Brasil (RFB) lançaram, nesta sexta-feira (3/7), o Atlas Econômico. De forma inédita, usuários terão acesso, em um mesmo local, a informações sobre o encadeamento entre setores econômicos dos 27 estados brasileiros, permitindo identificar setores-chave, direcionar investimentos e planejar políticas de desenvolvimento.
O Atlas é composto por Tabelas de Recursos e Usos (TRUs), Matrizes de Insumo-Produto (MIPs) e de Absorção de Investimentos (MAIs), que são ferramentas usadas para entender como os diferentes setores de uma economia se relacionam. Além dos dados, que podem ser baixados, a ferramenta traz simulações e análises que ajudam gestores na tomada de decisão.
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O projeto contou com a participação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contribuiu com a compreensão dos conceitos e origem dos dados de contas nacionais e regionais. A partir desses conceitos, a RFB e o Ipea utilizaram os registros administrativos fiscais (NFe) para transformar dados fiscais em informações econômicas regionais, aderentes àquelas que o IBGE estima e divulga no nível nacional. Além disso, o Ipea desenvolveu metodologia, que combinou esse novo e inédito conjunto de dados com outras informações públicas que são sistematicamente divulgadas pelo IBGE.
”O portal é fruto da união de esforços e competência de três órgãos federais, no sentido de contribuir com informações que permitem à União e aos Estados realizarem o planejamento econômico de suas políticas públicas. Sem a participação e atuação sinérgica desses órgãos, esse Atlas Econômico não teria sido produzido”, destacou a presidenta do Ipea, Luciana Servo.
A presidenta ressaltou, ainda, que a iniciativa materializa a missão do Ipea ao ampliar a capacidade do Estado de formular e avaliar políticas públicas informadas pelas melhores evidências. “É uma ferramenta estratégica sobretudo em um contexto de crescente complexidade econômica e de transformação do sistema tributário nacional”, destacou.
Na prática, trata-se de um mapa de como funcionam as transações entre atividades econômicas dentro do país. Nas análises de multiplicadores, por exemplo, é possível estimar o que acontece com a economia se a demanda final por determinado setor aumentar em R$ 1 real. Assim, é possível saber o quanto cada RS 1 real demandado em um setor como construção civil ou educação traz de retorno em empregos, PIB, produção e arrecadação de impostos.
A plataforma também permite identificar para onde vão e de onde vêm os bens de capital decorrentes de um investimento, por estado e por atividade econômica. Ou seja, o quanto um investimento na agricultura do Pará, por exemplo, beneficia locais como São Paulo ou Mato Grosso, que são fornecedores dos bens de capital necessários à realização deste investimento. “A plataforma será muito útil ao governo federal, mas talvez ainda mais aos governos estaduais, que poderão fazer análises que ajudam a destinar melhor os investimentos”, explica o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Lucas Ferraz Vasconcelos.
A plataforma também permite ver quais são os setores-chave da economia, aqueles em que o investimento traz mais impacto, porque consomem e ofertam insumos para grande quantidade de setores, e o que acontece com a economia se um setor for hipoteticamente extraído. O Atlas mostra, por exemplo, que, sem o setor de comércio, a produção total da economia brasileira seria cerca de 16% menor.
“Os dados e as análises do Atlas ajudam a direcionar as ações para que os objetivos pretendidos sejam cumpridos. Eu quero crescer mais ou quero reduzir desigualdades? É o tipo de pergunta cuja resposta pode mudar o local ou o setor ao qual será destinado determinado investimento”, exemplifica o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, João Maria de Oliveira.
No total, as análises econômicas abarcam 68 atividades e 128 produtos, com diferentes fontes de informação, garantindo o sigilo fiscal.
Reforma Tributária
O auditor-fiscal da RFB Marcelo de Sousa Silva ressalta que, além das análises já disponibilizadas na plataforma, os dados oferecem a possibilidade de desenvolvimento de estudos variados sobre políticas tributárias, incentivos fiscais, desenvolvimento regional, entre outros. “A plataforma assume papel particularmente relevante diante da implementação da Reforma Tributária, ao disponibilizar insumos estatísticos e metodológicos que poderão ajudar os entes a compreender os impactos econômicos associados à transição para o novo sistema IBS/CBS”, destaca.
Os dados do Atlas Econômico são referentes a 2018. Até o final do ano, serão incluídas as informações de 2019, 2020 e 2021 e, à medida que novas versões das Contas Nacionais e Contas Regionais forem divulgadas pelos órgãos oficiais, elas serão atualizadas e incorporadas à plataforma. Futuramente, há intenção de adicionar dados municipais.
Por .gov
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

