A ausência de informações atualizadas do IBGE sobre cobertura e uso da terra escancara uma fragilidade no planejamento de políticas públicas brasileiras às vésperas da COP 30, em Belém (PA). O último levantamento do instituto, referente ao período 2018–2020, apontou mudanças no território equivalentes às áreas de Alagoas e do Rio de Janeiro. Desde então, não houve novas publicações, deixando lacunas que afetam tanto a gestão ambiental quanto a formulação de estratégias de desenvolvimento urbano e rural.
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Sem esses dados oficiais, especialistas, professores e gestores recorrem ao cruzamento de informações produzidas por diferentes instituições, como o Inpe, a Funai, secretarias estaduais e o MapBiomas. Embora esses sistemas ofereçam séries temporais valiosas, muitas vezes não revelam detalhes mais finos, como o avanço da extração seletiva de madeira ou as transformações em áreas menores que não configuram desmatamento em larga escala. O resultado é uma fotografia fragmentada da dinâmica territorial do país.
Os impactos dessa defasagem vão além do meio acadêmico. Economistas e gestores alertam que a falta de estatísticas sistematizadas compromete cadeias produtivas inteiras, como a agroindústria. Em estados como Mato Grosso, que deve colher mais de 100 milhões de toneladas de grãos em 2025, a ausência de monitoramento territorial atualizado prejudica a antecipação de riscos, o desenho de infraestruturas de escoamento e a identificação de gargalos no uso do solo. O problema também se estende às cidades, que crescem em população e área urbanizada sem um retrato preciso do avanço do tecido urbano.
A carência de dados ainda enfraquece políticas de prevenção de impactos ambientais. A falta de integração entre bases oficiais compromete a elaboração de medidas de mitigação contra eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e poluição de recursos naturais — desafios que atingem de forma mais intensa povos indígenas, comunidades tradicionais e populações em áreas vulneráveis. Nesse cenário, a ausência de uma política de articulação entre dados se torna um obstáculo central para alinhar desenvolvimento econômico e conservação ambiental em escala nacional.
ISSN 3086-0415, produção de Luiz Ugeda.

