O Brasil ultrapassou a marca de 167 milhões de pessoas com celular em 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE. A pesquisa, parte da PNAD Contínua sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, mostra que 88,9% da população com 10 anos ou mais já utiliza telefone móvel para uso pessoal. O avanço, de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior e de mais de 11 pontos desde 2016, reflete a consolidação do celular como o principal meio de comunicação no país — substituindo com folga o telefone fixo, hoje presente em apenas 7,5% dos lares.
As áreas rurais, historicamente marcadas pela exclusão digital, foram destaque na pesquisa. Em oito anos, o número de usuários de celular nessas regiões saltou de 54,6% para 77,2%. O crescimento também atingiu a população idosa: entre pessoas com 60 anos ou mais, a proporção de usuários passou de 66,6% em 2019 para 78,1% em 2024. Ainda assim, segundo os analistas do IBGE, o desconhecimento sobre o uso e a percepção de “falta de necessidade” continuam sendo barreiras importantes entre os mais velhos.
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O estudo revela ainda que o celular não apenas conecta, mas também domina o acesso à internet no país. Em 2024, 98,8% das pessoas com 10 anos ou mais que navegaram na rede o fizeram via telefone móvel. Apenas um terço utilizou microcomputadores, e pouco mais de 8% usaram tablets. O acesso à internet pela televisão, no entanto, subiu para 53,5%, em uma mudança expressiva em relação a 2016, quando apenas 11,3% usavam a TV para se conectar.
A presença de rede móvel e de banda larga fixa também cresce, com índices de penetração superiores a 84% e 88%, respectivamente. A infraestrutura digital avançou especialmente nas zonas rurais, onde o acesso à internet nos lares chegou a 84,8% em 2024 — mais que o dobro do registrado em 2016. No total, 93,6% dos domicílios brasileiros já possuem algum tipo de acesso à rede, o maior nível já registrado.
Apesar dos avanços, a desigualdade digital ainda persiste, especialmente entre os mais jovens e os mais velhos sem acesso próprio ao celular. Motivos como controle dos pais, preocupações com privacidade e dificuldade de uso continuam sendo entraves importantes. Ainda assim, o cenário geral aponta para um país cada vez mais conectado — e cada vez mais dependente do pequeno aparelho que cabe na palma da mão.

