A China avançou na corrida tecnológica global ao lançar os primeiros 12 satélites da Constelação de Computação Três Corpos, um projeto ambicioso que levará ao espaço uma rede com capacidade de processar um quatrilhão de operações por segundo. Desenvolvido pela startup ADA Space em parceria com o Zhejiang Lab, o sistema prevê a instalação de 2.800 satélites com inteligência artificial embarcada, capazes de realizar análises diretamente em órbita — reduzindo a latência e contornando gargalos terrestres.
Segundo especialistas, a principal vantagem dos supercomputadores espaciais é evitar o envio constante de dados à Terra, permitindo processar informações críticas — como imagens de satélite ou movimentações navais — em tempo real, com menor risco de interceptação ou ataque. Com 30 terabytes de armazenamento por unidade, os satélites podem ainda operar com energia solar e dissipar calor diretamente no vácuo, ampliando a eficiência energética da rede.
Embora o custo da operação seja questionado por cientistas como o astrônomo Jonathan McDowell, que alerta para a viabilidade econômica da tecnologia, analistas políticos veem na iniciativa uma reconfiguração estratégica da geopolítica espacial. Para Namrata Goswami, da Thunderbird School of Global Management, a China está construindo uma infraestrutura digital autônoma com implicações militares, ambientais e de defesa planetária que poderá colocar o país à frente dos Estados Unidos nas próximas décadas.
O Zhejiang Lab já anunciou o lançamento de mais 50 satélites ainda este ano, ampliando rapidamente a escala do projeto. O general Stephen Whiting, do Comando Espacial dos EUA, classificou os avanços como “impressionantes”, enquanto autoridades indianas expressaram preocupação com a nova assimetria regional. Em plena era da inteligência artificial, a computação em órbita surge como o novo campo de disputa entre as potências globais.

