Cidades inteligentes e IA: inovação acelera, mas traz novos deveres aos gestores públicos

Régis de Oliveira Júnior, em artigo publicado no portal Hoje em Dia, mostra como a inteligência artificial (IA) deixou de ser promessa distante e passou a fazer parte da rotina das cidades brasileiras, especialmente na oferta de serviços públicos digitais. Segundo ele, a discussão já não é mais sobre “quando” a tecnologia vai chegar, mas sobre “como” ela será utilizada para reduzir burocracias, melhorar o atendimento e garantir que o cidadão tenha uma experiência mais simples e eficiente na relação com o poder público. O ponto central é claro: toda essa inovação só faz sentido se estiver orientada para as necessidades reais da população.

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O autor lembra que, a partir de 2023, a digitalização das prefeituras ganhou velocidade com melhor infraestrutura de internet, políticas de cidades inteligentes e maior capacidade de análise de grandes volumes de dados. A IA começou a ser incorporada em áreas como saúde, mobilidade urbana, segurança, educação e zeladoria, encurtando filas, diminuindo deslocamentos desnecessários e automatizando etapas que antes eram totalmente manuais. Chatbots, reconhecimento de imagens, triagem automática de demandas e sistemas preditivos passaram a compor o “novo normal” da administração municipal.

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No texto, Régis destaca exemplos concretos de cidades que já operam nessa lógica. Curitiba aparece como referência, com a Muralha Digital e o atendimento 156 usando visão computacional para organizar demandas enviadas pelos moradores. Recife é citado pelo Conecta Recife, que reúne centenas de serviços digitais e utiliza IA para apoiar o monitoramento de saúde, como a gestão de consultas e exames. Em municípios menores, como Rio do Sul (SC), o uso de modelos preditivos para identificar risco de evasão escolar mostra que a tecnologia também pode ser aliada na proteção de crianças e adolescentes, permitindo intervenções antes que o problema se agrave.

Ao mesmo tempo, o autor alerta que essa transformação não vem sem riscos e responsabilidades adicionais. A inclusão digital ainda é um gargalo para milhões de brasileiros, o que pode aprofundar desigualdades se os serviços forem pensados apenas para quem já está conectado. Há ainda desafios ligados à privacidade de dados sensíveis, à transparência sobre o funcionamento dos algoritmos e ao viés embutido em bases históricas de informação, que podem reforçar desigualdades sociais, de gênero ou raça se não houver controle e auditoria permanentes. A ausência de um marco regulatório robusto para IA no Brasil também é apontada como um ponto de atenção.

Na parte final do artigo, Régis aproxima a discussão brasileira de experiências internacionais, como Estônia, Coreia do Sul e Reino Unido, onde o avanço tecnológico veio acompanhado de regras claras e mecanismos de governança aberta. Para ele, a IA tem potencial para redefinir a relação entre governo e população, desde que seja guiada por ética, dados confiáveis e participação social. Em outras palavras, o futuro das cidades inteligentes no Brasil não será determinado apenas pelo código dos algoritmos, mas pelo compromisso político e institucional de usar a tecnologia para ampliar direitos, e não para criar novas barreiras.

Para acessar ao artigo, clique aqui.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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