Corrida pelos data centers redesenha o mapa da América do Sul e expõe atraso regulatório do Brasil

Marcello Sigwalt, na Click Petróleo e Gás, traz que a disputa global por inteligência artificial e infraestrutura digital começa a produzir efeitos concretos sobre o território sul-americano. Enquanto países como Argentina e Paraguai avançam na atração de investimentos para data centers e projetos associados à inteligência artificial, o Brasil enfrenta dificuldades para converter seu potencial energético e sua dimensão territorial em vantagem competitiva. O resultado é uma crescente preocupação de especialistas com o risco de deslocamento de investimentos estratégicos para mercados considerados mais ágeis do ponto de vista regulatório.

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A instalação de data centers deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a influenciar diretamente a organização do território. Essas estruturas exigem grandes volumes de energia elétrica, disponibilidade hídrica para resfriamento, conectividade de alta capacidade e segurança jurídica para investimentos de longo prazo. A escolha de onde implantar esses empreendimentos tem potencial para redefinir fluxos econômicos, criar novos polos de desenvolvimento regional e ampliar a demanda por infraestrutura energética e de telecomunicações.

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No Brasil, representantes do setor apontam que a demora na definição de regras para inteligência artificial e incentivos voltados à infraestrutura digital tem contribuído para um ambiente de incerteza. A tramitação prolongada do Projeto de Lei nº 2.338/2023, que trata da regulação da IA, e o encerramento da vigência da medida provisória que criava incentivos para centros de dados são citados como fatores que dificultam decisões de investimento. Paralelamente, programas governamentais voltados à inteligência artificial ainda enfrentam desafios para transformar planejamento em execução efetiva.

A dimensão territorial do problema também se manifesta na distribuição desigual da infraestrutura tecnológica. Atualmente, a maior parte dos investimentos em computação avançada, pesquisa em IA e serviços digitais permanece concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Esse padrão tende a reproduzir assimetrias históricas entre diferentes áreas do país, limitando a capacidade de estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste de participar da nova economia baseada em dados. Para especialistas, a ausência de uma estratégia nacional coordenada pode ampliar as diferenças regionais já existentes.

Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda por novos data centers demonstra que existe interesse do mercado. Dados do setor indicam aumento expressivo dos pedidos de conexão elétrica para projetos previstos nas próximas décadas. A questão central passa a ser a capacidade do país de transformar esse interesse em empreendimentos efetivamente instalados. Em um cenário internacional marcado pela disputa entre Estados Unidos e China pela liderança tecnológica, a definição de políticas para infraestrutura digital deixou de ser apenas um tema econômico e passou a integrar a agenda de planejamento territorial, energética e de soberania tecnológica dos países.

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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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