Propriedades rurais com alertas de desmatamento ou degradação da vegetação nativa receberam R$ 92,4 bilhões em crédito público entre 2019 e 2025, segundo o Monitor do Crédito Rural, do MapBiomas. Os recursos foram distribuídos em 831 mil operações. No mesmo período, o sistema financeiro desembolsou R$ 613,18 bilhões em 9,48 milhões de contratos de crédito rural no país.
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O levantamento cruza os registros do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, com bases geoespaciais sobre desmatamento, embargos ambientais, terras indígenas, unidades de conservação, quilombos e florestas públicas. A existência de um alerta indica perda de vegetação na propriedade, mas, isoladamente, não permite concluir que a supressão foi ilegal ou descumpriu o Código Florestal.
A incorporação do Cadastro Ambiental Rural informado nas operações ampliou o alcance territorial do monitoramento. Antes, a análise estava restrita principalmente aos contratos que apresentavam o polígono da área diretamente financiada. Com os dados do CAR, tornou-se possível localizar mais imóveis beneficiados e identificar sobreposições com áreas ambientalmente sensíveis, embora a análise da propriedade inteira não signifique que o crédito tenha sido aplicado no trecho onde ocorreu o desmatamento.
O Piauí registrou o maior número de operações com sobreposição a camadas socioambientais, com 336 mil contratos, seguido por Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Em valores, Tocantins liderou, com R$ 13,9 bilhões, à frente de Mato Grosso, com R$ 13,3 bilhões, e Rondônia, com R$ 13 bilhões. A pecuária esteve associada a 58% das contratações analisadas, mas os dados não permitem atribuir diretamente à atividade a supressão vegetal identificada nos imóveis.
Os resultados ampliam a pressão por controles territoriais mais precisos na concessão e no acompanhamento do crédito rural. Mais de 400 instituições operam essa modalidade no país, mas 60% dos financiamentos estão concentrados em cinco bancos. O Banco do Brasil, líder em desembolsos no período, afirmou cruzar as propostas com 33 bases públicas e suspender liberações quando identifica impedimentos socioambientais. O desafio permanece em distinguir, dentro de cada imóvel, áreas regulares, passivos ambientais e o local efetivamente beneficiado pelos recursos.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

