Embrapa e UnB usam IA e satélites para mapear abandono agrícola no Cerrado

Por Embrapa

Um estudo conduzido pela Embrapa em parceria com a Universidade de Brasília utilizou imagens de satélite e inteligência artificial para mapear áreas agrícolas abandonadas no Cerrado brasileiro. O levantamento, considerado inédito no bioma, combina dados orbitais com técnicas de aprendizado profundo para identificar mudanças no uso do solo e pode subsidiar políticas públicas voltadas à restauração ambiental e ao planejamento territorial.

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A pesquisa foi baseada em imagens do satélite Sentinel-2, operado pela Agência Espacial Europeia, e em modelos computacionais capazes de classificar diferentes tipos de cobertura da terra. Com o uso de redes neurais, os pesquisadores distinguiram categorias como vegetação nativa, pastagens, lavouras e plantações florestais, além de identificar, de forma específica, áreas agrícolas que deixaram de ser utilizadas. A acurácia do mapeamento foi estimada em 94,7%.

Os resultados apontam que a maior parte das áreas abandonadas está associada a antigos plantios de eucalipto, sobretudo destinados à produção de carvão vegetal. No município de Buritizeiro, por exemplo, foram identificados mais de 13 mil hectares de áreas abandonadas entre 2018 e 2022, o equivalente a cerca de 5% da área agrícola local no início do período analisado. Fatores como aumento de custos logísticos, queda da rentabilidade e encarecimento de insumos foram apontados como determinantes para o abandono.

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O estudo também indica que culturas mais intensivas, como soja e milho, mantiveram níveis de ocupação estáveis no período, sugerindo maior resiliência econômica desses sistemas produtivos. Já áreas de silvicultura apresentaram maior vulnerabilidade, com transição para vegetação secundária ou degradação progressiva após o fim da exploração econômica. Os dados reforçam a heterogeneidade do uso da terra no Cerrado e os diferentes ciclos produtivos associados a cada atividade.

Segundo os pesquisadores, os mapas gerados podem ser incorporados a estratégias de restauração ecológica, incluindo iniciativas de sequestro de carbono e criação de corredores ambientais. No entanto, o estudo aponta limitações, como a dificuldade de distinguir entre abandono permanente e pousio temporário apenas com base em imagens de satélite, além de desafios na diferenciação entre pastagens degradadas e vegetação nativa. Ainda assim, a metodologia amplia a capacidade de monitoramento territorial e contribui para qualificar decisões públicas em um dos principais biomas do país.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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