Energia e autonomia: biometano ganha espaço na estratégia europeia diante de incertezas globais

Teresa Ponce de Leão e Adriana Reais Pinto, em artigo publicado no ECO, afirmam que a energia voltou ao centro da geopolítica global, deixando de ser apenas uma commodity para assumir papel estratégico nas relações internacionais. Segundo as autoras, conflitos recentes e tensões comerciais expuseram a dependência de países europeus de fontes externas, especialmente no caso do gás natural, evidenciando fragilidades estruturais no abastecimento energético.

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A guerra na Ucrânia é apontada como marco dessa mudança, ao interromper fluxos tradicionais de fornecimento e provocar uma crise de preços que impactou toda a Europa. O episódio revelou que segurança energética e política externa estão interligadas, levando governos a reverem suas estratégias. Ao mesmo tempo, grandes economias passaram a integrar a transição energética às suas políticas industriais, enquanto a China ampliou sua presença nas cadeias de valor ligadas a tecnologias limpas.

Nesse cenário, a União Europeia enfrenta uma contradição entre liderança regulatória e dependência material. Apesar de avançar em normas e metas de descarbonização, o bloco continua exposto a choques externos, como demonstrado nas discussões recentes do Conselho de Energia. A ausência de autonomia plena limita a capacidade de resposta a crises e pressiona os preços, mesmo sem risco imediato de desabastecimento.

Diante desse contexto, soluções baseadas em recursos locais passam a ganhar relevância estratégica. O biometano, produzido a partir de resíduos orgânicos, surge como alternativa viável por poder ser integrado à infraestrutura existente de gás. Experiências em países como Dinamarca, França e Alemanha mostram que o desenvolvimento do setor depende de políticas públicas consistentes, incentivos estáveis e articulação com o setor agrícola.

Em Portugal, embora haja disponibilidade de matérias-primas para a produção de biometano, o avanço ainda é limitado por entraves regulatórios e falta de coordenação entre políticas setoriais. As autoras defendem que a expansão desse mercado pode contribuir para reduzir a dependência energética, valorizar resíduos e estimular a economia rural, desde que haja um ambiente regulatório mais claro e condições para integração com a rede de gás.

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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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