Energia elétrica passa a definir localização de data centers e impulsiona novo ciclo global de investimentos

O crescimento acelerado da inteligência artificial está alterando os critérios de localização de data centers em todo o mundo. De acordo com o relatório 2026 Data Center Outlook, da consultoria JLL, o acesso à energia elétrica em larga escala — com fornecimento estável, conexão rápida à rede e preferência por fontes renováveis — tornou-se o principal fator para a escolha de novos projetos. O estudo indica que a disponibilidade energética começa a superar variáveis tradicionalmente decisivas, como localização geográfica e custo do terreno.

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A mudança ocorre em meio a uma expansão significativa da infraestrutura digital global. A capacidade instalada de data centers deve crescer de 103 gigawatts atualmente para cerca de 200 GW até 2030, o que representa uma taxa média anual de expansão de 14%. Segundo a JLL, esse movimento pode inaugurar um ciclo de investimentos estimado em até US$ 3 trilhões ao longo da próxima década, impulsionado principalmente pela demanda crescente por aplicações baseadas em inteligência artificial.

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O relatório aponta que a participação da IA nas cargas de trabalho globais de data centers deve subir de 25% em 2025 para aproximadamente 50% em 2030. A partir de 2027, a expectativa é de que as cargas de inferência — quando modelos já treinados são aplicados em serviços e produtos — ultrapassem as de treinamento. Essa transição tende a estimular uma maior distribuição geográfica da infraestrutura digital, com a criação de hubs regionais e instalações mais próximas dos usuários finais para reduzir latência.

A infraestrutura necessária para suportar aplicações de IA também apresenta exigências energéticas significativamente maiores. Racks utilizados em operações de inteligência artificial podem ultrapassar 100 kW de potência, densidade elétrica até dez vezes superior à de data centers convencionais, o que amplia a necessidade de sistemas de refrigeração avançados e soluções de armazenamento de energia. Diante das limitações de conexão à rede elétrica em diversos mercados — onde o prazo de ligação pode ultrapassar quatro anos — operadores têm recorrido a geração própria, contratos privados de energia e sistemas de baterias.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um possível destino para novos projetos. A matriz elétrica predominantemente renovável e prazos de conexão à rede estimados entre 1,5 e 2 anos são apontados pela JLL como fatores competitivos em comparação com outros mercados. O relatório projeta que o país pode atrair cerca de US$ 33 bilhões em investimentos em data centers até 2030, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Ainda assim, desafios relacionados à infraestrutura básica, licenciamento ambiental e segurança regulatória permanecem como fatores relevantes para a viabilidade desses empreendimentos.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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