Carne, madeira e ouro saem da Amazônia por cadeias com controles muito diferentes, mas compartilham um risco territorial: produtos de origem irregular podem adquirir aparência de legalidade antes de alcançar frigoríficos, serrarias, distribuidoras e refinarias. A falha de rastreabilidade mantém desmatamento, grilagem, garimpo e violações de direitos fora do campo de visão do comprador final.
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Na pecuária, a estrutura de controle funciona principalmente para fins sanitários e de comércio exterior. Desde 2009, termos firmados pelo Ministério Público Federal condicionam compras de frigoríficos amazônicos à regularidade fundiária e ambiental, mas a movimentação entre fazendas ainda permite que animais de origem irregular cheguem ao abate por propriedades intermediárias.
A madeira dispõe de sistema unificado, embora fraudes e superestimação de volumes reduzam sua efetividade. O ouro está em estágio ainda mais frágil: não há um sistema estruturado que acompanhe o metal do garimpo ao comprador final, e títulos formalmente válidos podem servir de lastro para material extraído em outras áreas.
O estudo citado propõe três frentes: integrar CAR, guias de trânsito, registros florestais, bases fundiárias, embargos e alertas; concentrar fiscalização nos pontos em que produtos de várias origens se misturam; e explicitar deveres de diligência socioambiental para quem compra. O ganho viria da capacidade de cruzar a história territorial antes que ela se perca na cadeia.
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A proposta exige investimento, tempo e coordenação federativa, pois bases estaduais e federais ainda operam de forma isolada. Sem integração, o controle continua mais lento que a circulação das mercadorias e aumenta o risco de perda de mercados. A análise é de Vivian M. Ferreira e Raquel Frazão Rosner, em ensaio publicado pelo Nexo Jornal.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.




