Geografia do futebol em 2035: Flamengo alcança 25% da torcida, paulistas encolhem e cresce o “time de nenhum”

A pesquisa O GLOBO/Ipsos-Ipec, realizada em junho de 2025, revela um cenário que pode redesenhar a arquibancada brasileira até 2035. O Flamengo, já líder isolado com 21,2% das preferências, caminha para reunir cerca de um quarto da torcida nacional dentro de dez anos. Enquanto isso, Corinthians e São Paulo seguem em queda acentuada, abrindo espaço para o crescimento do Palmeiras e, sobretudo, do grupo de brasileiros que não torcem por nenhum clube, que pode se tornar o segundo maior “time” do país.

Adaptado de O Globo

O Corinthians sofreu a queda mais acentuada, caindo de 15,5% para 11,9%, um recuo de 3,6 pontos percentuais — mais do que o dobro de sua margem de erro. Já o São Paulo, que em 2022 detinha 8,2%, agora registra 6,4%. Com isso, o tricolor paulista foi ultrapassado numericamente pelo Palmeiras, que aparece com 6,5%, embora ainda empatado tecnicamente. A dupla paulista, que somava 23,7% da preferência em 2022, agora reúne apenas 18,3%, percentual menor que o do Flamengo sozinho. 

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Outro dado relevante do levantamento é o crescimento do grupo de brasileiros que afirmam não torcer para nenhum clube. Esse fenômeno, que já começa a rivalizar com algumas das maiores torcidas do país, indica uma mudança de perfil do torcedor: mais distante dos estádios, mais conectado ao futebol internacional e menos identificado com as estruturas de poder dos clubes locais.

Se essa curva se mantiver, especialistas projetam que em 2035 o Flamengo pode ultrapassar 25% de torcedores, consolidando-se como uma das maiores torcidas do mundo em números absolutos. Enquanto isso, Corinthians e São Paulo tenderiam a recuar para índices de um dígito, perdendo relevância frente ao crescimento de clubes regionais como Fortaleza, Athletico-PR e Bahia, além do avanço do “time de nenhum”.

De acordo com a projeção elaborada a partir das tendências atuais, o Flamengo pode saltar de 21,2% em 2025 para 25,5% em 2035, ampliando ainda mais sua hegemonia. O Corinthians cairia de 11,9% para 8%, enquanto o Palmeiras teria leve crescimento para 7% e o São Paulo recuaria para 5,5%. Já o grupo dos que declaram não torcer para nenhum clube chegaria a 20%, consolidando-se como o “segundo maior time” do país.

Por Geocracia, com base nos dados de 2025 da pesquisa O GLOBO/Ipsos-Ipec

Por Geocracia, com base nos dados de 2025 da pesquisa O GLOBO/Ipsos-Ipec

A pesquisa indica que os jovens torcedores têm papel central nessa transformação. Flamengo e Palmeiras cresceram com gestões mais profissionais e financeiramente estruturadas, enquanto Corinthians e São Paulo mantêm modelos considerados envelhecidos e pouco transparentes, o que contribui para a perda de espaço. Outro elemento relevante é a concorrência do futebol internacional: cada vez mais, os jovens dividem sua atenção e engajamento com clubes europeus, reduzindo a força das torcidas tradicionais brasileiras. A concorrência hoje não é só nacional. Muitos jovens dividem sua paixão com clubes europeus, e isso reduz o espaço para as torcidas tradicionais brasileiras.

No chamado segundo pelotão, que reúne clubes como Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Santos e Internacional, a projeção para 2035 indica estabilidade com oscilações pontuais, mas sem capacidade de rivalizar com o topo. Cada um deve se manter entre 2% e 4% das preferências, compondo um bloco competitivo mais regional que nacional. Entre eles, Vasco tende a seguir como o maior fora do G-4, enquanto Bahia e Fortaleza despontam como potenciais destaques do Nordeste, sustentados por modelos de gestão mais profissionais. Já Santos e Internacional podem enfrentar perda gradual de espaço, refletindo dificuldades em reter protagonismo esportivo.

Com 2.000 entrevistas em 132 municípios, o estudo é o maior já realizado no país sobre torcidas. E, se as tendências observadas de 2022 a 2025 continuarem, o Brasil de 2035 terá uma arquibancada menos plural, mais rubro-negra e marcada por um número crescente de torcedores sem clube — um retrato que revela que o futebol, no país do futebol, já não é apenas uma questão de gols e títulos, mas também de gestão, identidade e pertencimento.

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