Fernando Valente Pimentel, em artigo publicado n´A Tribuna Piracicabana, analisa como a combinação entre tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e avanço tecnológico vem alterando as bases de competitividade da indústria global, com efeitos diretos sobre o setor têxtil e de confecção brasileiro. Segundo o autor, a lógica centrada apenas em eficiência e baixo custo perde espaço para critérios como resiliência produtiva, domínio tecnológico e posicionamento estratégico em cadeias cada vez mais regionalizadas.
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Relatórios recentes do Fórum Econômico Mundial indicam que a interação entre geoeconomia e tecnologia, especialmente a digitalização e a inteligência artificial, deverá moldar os próximos anos do comércio internacional. Nesse ambiente, não há um único cenário possível, mas múltiplas trajetórias que variam conforme o setor e o país. Para a indústria têxtil brasileira, esse contexto amplia riscos associados a barreiras técnicas, exigências ambientais e regras digitais, ao mesmo tempo em que abre oportunidades para reposicionamento estratégico.
O texto destaca que o principal obstáculo interno segue sendo estrutural. O elevado custo de produção no Brasil, associado a encargos trabalhistas, insegurança jurídica e juros persistentemente altos, compromete a competitividade frente a países que operam sob exigências regulatórias significativamente menores. A questão central, aponta o autor, não é a existência de concorrência internacional, mas a ausência de isonomia competitiva, agravada pela concorrência desleal e pelo comércio ilegal.
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No campo externo, a defesa comercial e a integração internacional aparecem como eixos complementares. O fortalecimento de instrumentos contra dumping e subsídios ilegais é apresentado como condição para um mercado equilibrado, enquanto acordos como o entre Mercosul e União Europeia ganham relevância por ampliar o acesso a mercados regulados e previsíveis. Paralelamente, a incorporação de tecnologias como automação, análise de dados e inteligência artificial deixa de ser opcional, passando a influenciar produtividade, gestão e eficiência energética.
O artigo aponta que a regionalização das cadeias produtivas e a agenda de sustentabilidade podem favorecer o Brasil, que reúne mercado interno expressivo, cadeia têxtil diversificada e produção relevante de fibras, como o algodão. Circularidade, rastreabilidade e descarbonização passam a ser critérios econômicos objetivos, inclusive para acesso a financiamento. Nesse cenário, o futuro do setor dependerá das escolhas feitas agora, especialmente no avanço de reformas estruturais, na redução do Custo Brasil e na capacidade de inserir a indústria nacional em cadeias globais de maior valor agregado.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

